'Repórter Record Investigação' visita Mariana (MG) cinco anos após tragédia ambiental

Por Redação em 03/03/2021 às 15:04:00

O Repórter Record Investigação volta a Mariana (MG) para mostrar os impactos irreversíveis do crime na vida das vítimas

Sem julgamento e a falta de muitas respostas para recuperação ambiental, o crime de Mariana ainda permanece impune.

A onda de lama da Vale matou 19 pessoas, destruiu comunidades e contaminou rios e seus afluentes após o rompimento da barragem do Fundão, no dia 5 de novembro de 2015. Hoje se sabe que 39 cidades foram afetadas.

Cinco anos depois, familiares e sobreviventes revelam suas dores aos jornalistas Rogério Guimarães, Mariane Salerno, Leonardo Medeiros e Aldrich Kanashiro. Nossos repórteres vão mostrar também os impactos irreversíveis na vida dos atingidos.

Um estudo publicado em um dos periódicos médicos mais importantes do mundo apontou a presença de metais pesados, como arsênio, zinco e níquel, no sangue dos moradores do município de Barra Longa (MG), o que pode causar graves problemas de saúde.

A patologista Evangelina Vormitagg coordenou a pesquisa. E alerta para os males que esta intoxicação pode causar. "Desde problemas cardiológicos, neurológicos, câncer, doenças crônicas que levem a debilitação do sistema imunológico. Podem ocorrer também abortos e más formações fetais", revela.

Andrea e os filhos sofrem as consequências da intoxicação. "Meu cabelo caiu muito. É muito triste perder cabelo", conta Andrea.

A filha, Maíra, de 18 anos, é quem cuida da mãe. "Minha preocupação é perder minha mãe. Ela toma muito remédio, já ficou internada, como se fosse louca. Eu não posso sair de casa. Tenho medo do que possa acontecer com ela", lamenta.

Muitos dos sobreviventes ainda não se adaptaram à nova vida na cidade de Mariana, já que tudo que tinham foi completamente destruído. Eles não têm esperança de ver suas casas reconstruídas pelos responsáveis pelo crime.

"Meu sentimento é de injustiça. Cinco anos se passaram e eu e minha família ainda não temos casa para morar", conta Romeu, que vivia em Paracatu de Baixo desde que nasceu, um dos subdistritos engolidos pelos rejeitos de lama.

E mais: redes recolhidas, embarcações abandonadas, rios contaminados, pescadores sem trabalho. Os impactos do crime de Mariana no meio ambiente ainda vão perdurar por décadas.

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