No final dos anos 60, Globo 'pintou' ator branco, de negro, para protagonizar novela. A trama foi um fracasso de audiência

Por Redação em 21/11/2020 às 17:01:20

TÍTULO

"A Cabana do Pai Tomás"

GENERO
Dramaturgia

SUB-GÊNERO
Telenovela

AUTOR
Hedy Maia, Péricles Leal e Walther Negrão

DIREÇÃO
Fábio Sabag, Daniel Filho, Wálter Campos e Régis Cardoso

ELENCO

Sérgio Cardoso (Pai Tomás / Dimitrius / Abraham Lincoln)
Ruth de Souza (Cloé)
Míriam Mehler (Bárbara)
Maria Luiza Castelli (Ofélia)
Jacyra Silva (Cassie)
Isaura Bruno (Bessie)
Gédio Amadeu (Sam)
Dalmo Ferreira (Sambo)
Edney Giovenazzi (Mr. Simon Legris)
Felipe Carone (Arquibaldo Morrison)
Ivete Bonfá (Marie-Claire)
Renato Master (David)
Norah Fontes (Jessica)
Jonas Mello
Paulo Goulart (Piérre St. Clair)
Luiza Américo (Mr. George St. Clair)
Lola Brah (Condessa)
Turíbio Ruiz (Mr. Shelby)
Eloísa Mafalda (Emily)
Germano Filho (Natanice)
Jorge Coutinho (Angelus)
Teresinha Cubana (Piggy)
Haroldo de Oliveira (Jonas)
Érico Freitas (George)
Isabela Clara Lee (Eleonora)
Rachel Martins (Marta)
Milton Gonçalves
Ruth Mota
Regina Macedo

EMISSORA
TV Globo

EXIBIÇÃO
07 de julho de 1969 à 01 de março de 1970 (Rio)
09 de julho de 1969 à 28 de fevereiro de 1970 (SP)

Anúncio da estreia da novela.

CAPÍTULOS
205 capítulos

SINOPSE

Inspirada no romance de Harriet Beecher Stowe, a novela se passava durante a Guerra de Secessão e contava a história de Pai Tomás (Sérgio Cardoso), um escravo negro que enfrentava as crueldades de senhores de engenho.

Casado com Cloé (Ruth de Souza), ele começa a liderar um movimento pela liberdade dos negros no sul dos Estados Unidos.

BASTIDORES

O ator Sérgio Cardoso estreava na Globo após ter alcançado muita repercussão nas novelas da TV Tupi, como "Antônio Maria" e "O Cara Suja". No entanto, na nova emissora, um fato causou revolta no meio artístico: o ator precisou pintar o corpo de preto para encarar o personagem, um escravo, além de usar peruca e usar "rolhas" no nariz.

A escalação dele, que gerou um grande 'mal-estar', havia sido uma imposição da Colgate Palmolive, que patrocinava as produções de novela.

"A Cabana do Pai Tomás", contou com um orçamento "astronômico". Começou a ser gravada em São Paulo, onde uma embarcação do século XIX foi reproduzida e uma colheita de algodão, numa fazenda de Campinas, São Paulo, foi antecipada exclusivamente para servisse de locação para a história. Dois estúdios foram construídos. Porém, um incêndio, duas semanas antes da estreia, acabou transferindo toda sua produção para o Rio de Janeiro. O fato precisou de muito "rebolado" da direção da emissora, já que a Globo gravava outras novelas no Rio ("Rosa Rebelde" e "A Ponte dos Suspiros") e não tinha espaço suficiente concentrar para tantas produções ao mesmo tempo, no mesmo lugar.

A novela marcou ainda o fim definitivo dos "dramalhões" que dominou a dramaturgia da Globo nos anos 60 e traziam histórias muito distantes da realidade brasileira. A concorrência com "Nino, o Italianinho", novela da Tupi, não foi nada fácil. O público preferiu acompanhar a trama do italiano ante os absurdos que eram exibidos na novela da Globo. O próprio diretor Daniel Filho assumiu em seu livro, "Antes que me Esqueçam": Era muito ruim. O texto era inverossímil, as cenas absurdas."

Comunicar erro

Comentários