Medalhões da Globo se 'curvaram' para 'Vamp'. Repleta de vampiros, a novela foi um estrondoso sucesso das 19h e marcou época

Por Rodrigo Felício ([email protected]) em 13/11/2020 às 20:32:43

Crianças e adolescentes do início dos anos 90 tinham um compromisso inadiável as 19h: sentar de frente para a telinha e acompanhar as aventuras da novela "Vamp".

A trama, de Antônio Calmon, fez um estrondoso sucesso na Globo ao contar uma história repleta de vampiros, humor, música e muita comédia. Com ganchos, novidades e efeitos especiais a cada capítulo, a trama virou 'cult' e marcou uma geração.

Substituindo "Lua Cheia de Amor" a história se passava na fictícia cidade de Armação dos Anjos, no litoral do Rio de Janeiro. Na verdade, as gravações, além dos estúdios, eram filmadas em Búzios, na região dos Lagos.

A história começava em 1791, com cenas de exorcismo e a fuga de Eugênia (Claudia Ohana) para a Europa com o irmão (Marcos Breda), fugindo do Conde Vlad (Ney Latorraca). Duzentos anos depois, Eugênia reencarna como Natasha, uma cantora descoberta por um produtor musical chamado Gerald (Guilherme Leme). O Conde Vlad, que continua sugando o sangue dos inocentes, se interessa por ela. Em troca do sucesso na carreira musical, ela 'vende sua alma ao diabo' e se deixa transformar numa vampira.

Perseguida pela obsessão e paixão do 'rei dos vampiros', ela busca a Cruz de São Sebastião, perdida no oceano da Armação dos Anjos, único objeto capaz de acabar com o Conde.

Lá na cidade, se envolve com Capitão Jonas (Reginaldo Faria), um viúvo com 6 filhos que se casa com Carmem Maura (Joana Fomm), uma viúva também com 6 filhos. A tropa de filhos se divide entre as tarefas na pousada da família e a vida na cidade que, aos poucos, passa a ser 'povoada' por vampiros. Muito deles, repletos de humor como Mary (Patrícia Travassos, numa interpretação incrível e única) e Matoso (Otavio Augusto), vampiro de um canino só.

Uma das cenas memoráveis da novela é o trecho onde Conde Vlad 'ressuscita' e dança uma coreografia mórbida no cemitério, uma versão bem-humorada do clipe da música "Thriller", de Michael Jackson.

Ney Latorraca volta à a vida ao som de 'Triller', numa das cenas memoráveis da novela

A novela, que também teve gravações em Lisboa e Veneza, registrou uma média geral de 38 pontos no Ibope e chegou a médias de 47/50 pontos (VEJA A TABELA DETALHADA DE AUDIÊNCIA CLICANDO AQUI) em sua última semana de exibição. Um número que hoje faz inveja às novelas das 21h, há de convir. É considerado até hoje um dos maiores sucessos do autor, ao lado de "Top Model".

A direção impecável foi do saudoso Jorge Fernando.

Na época, os principais autores da Globo reconheceram o sucesso e a maestria de Calmon em conduzir a história. Manoel Carlos comentou em reportagem do jornal O Globo: "Não há quem não goste de histórias fantasiosas. Sejam crianças, adolescentes ou adultos. Desde menino, há 50 anos, vejo temas como esses fascinarem. O assunto exige talento para não ficar banal. "Vamp" é fruto do amadurecimento do Calmon, um autor que sabe lidar com o tema. Não, vejo nenhuma novela no passado que se compare à esta, pois o conjunto de qualidades de "Vamp" é grande. Sem falar no título, tão simples e perfeito".

Aguinaldo Silva, que escrevia "Pedra sobre Pedra" na época reconheceu: "O desenrolar do núcleo infanto-juvenil é excelente. A maneira como o Calmon vem tratando os vampiros e engraçada, leve. São vampiros brasileiros, e não uns darks quaisquer. Pelo tom de brincadeiras me lembro na hora de "Que rei sou eu?". São duas novelas, dirigidas pelo Jorge Fernando, que optaram pelo humor e conseguiram cumprir a proposta de forma exemplar", concluiu.

Calmon, aliás, tentou retomar a temática com "O Beijo do Vampiro", em 2002, mas não conseguiu obter a mesma repercussão.

Para os fãs e para quem gostaria de conhecer a novela, uma boa notícia. Em breve a GloboPlay vai disponibilizar a novela na plataforma. Será uma forma de matar a saudades deste grande sucesso.



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