√ćris Abravanel? Tiago Santiago? N√£o! Com voc√™s Henrique Zambelli, o autor que mais escreveu novelas para o SBT

Em uma entrevista exclusiva, ele nos conta como era o processo de escolha dos textos, as autonomias que tinha.... vem, gente!

Por Rodrigo Felício ([email protected]) em 17/10/2020 às 18:21:30

O nome que mais aparece nos créditos como autor titular das novelas nacionais produzidas pelo SBT, em toda sua história, é o de Henrique Zambelli.

Formado em Comunica√ß√£o Social, Henrique Zambelli atuou como roteirista de diversos programas da emissora, como "Charme", de Adriana Galisteu, e escreveu diversos teleteatros no final dos anos 90, época da retomada da dramaturgia, encabe√ßada por Nilton Travesso. Também é ator e participou de dezenas de teatros nos palcos paulistas. Hoje, aos 47 anos n√£o trabalha em nenhuma emissora de TV e se dedica a carreira de escritor, com diversos livros lan√ßados, como "Cutucadas de Luz".

Com todo este gabarito, foi dele a responsabilidade de adapta√ß√£o ou tradu√ß√£o de nada menos que 8 telenovelas ao longo da história do SBT. É o autor da maior quantidade de novelas.

√ćris Abravanel, esposa de Silvio Santos, vem logo em seguida com 7 t√≠tulos. E acreditem, numa entrevista exclusiva ao "Memória da TV" ele revelou que come√ßou a escrever as novelas da emissora 'por acaso'.

Henrique Zambelli e B√°rbara Paz nos bastidores de "Marisol"

Sua primeira novela na emissora foi "Pérola Negra" em 1998 e foi a que mais gostou. Depois vieram "P√≠cara Sonhadora" (2001), "Amor e Ódio" (2001), "Marisol" (2002), "Jamais Te Esquecerei" (2003), "Canavial de Paix√Ķes" (2003), "Esmeralda" (2004) e "Cristal" (2006), sua √ļltima adapta√ß√£o.

Pouco tempo depois, Iris Abravanel assumiu o departamento de dramaturgia da emissora e passou a assinar a maioria das adapta√ß√Ķes.

Agora, voc√™ sabe como é o processo de escolha de um texto de novela no SBT? Como s√£o feitas as tradu√ß√Ķes? Henrique Zambelli contou tudo pra gente numa entrevista exclusiva.

Confira:

MemóriaDaTV: Como surgiu o convite para come√ßar a adaptar novelas para o SBT?

HZ: Eu era estagi√°rio na emissora no setor de coordena√ß√£o de textos da dramaturgia. Algum tempo depois, quando j√° tinha terminado o est√°gio, fui convidado pelo meu ent√£o chefe Crayton Sarzy para um teste para adaptar a novela Pérola Negra e fui aprovado de primeira.


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MemóriaDaTV: Quem escolhia os textos a serem trabalhados?

Uma equipe formada pela dire√ß√£o da emissora e pela dire√ß√£o da dramaturgia escolhia os textos para adapta√ß√£o, mediante op√ß√Ķes de t√≠tulos disponibilizados pelas emissoras internacionais, como a Televisa. Muita gente tem a falsa ideia de que o contrato do SBT com a Televisa previa que qualquer história do acervo da emissora mexicana poderia ter remakes no Brasil, mas era necess√°ria uma negocia√ß√£o para que os detentores dos direitos dos originais autorizassem e nem sempre isso acontecia. Isso explica porque muitas novelas, que o p√ļblico pedia remakes, nunca ocorreram. Outra falsa ideia que t√™m é a de que os mexicanos se envolviam diretamente nas produ√ß√Ķes. Ao menos nas novelas que fiz, eu nunca tive esse tipo de quest√£o.

MemóriaDaTV: Pode nos contar um pouco de como era esse trabalho de adapta√ß√£o das novelas? Como estes chegavam até voc√™?

A ordem que eu recebia da dire√ß√£o da emissora era fazer uma adapta√ß√£o abrasileirada do texto original importado, n√£o modificando muito as cenas e, principalmente, o sentido original da história. Ali√°s, toda vez que fizeram isso, o ibope reagiu negativamente. Algumas novelas vinham até mim nos scripts originais em espanhol, mas a grande maioria eu desenvolvia os roteiros assistindo aos v√≠deos, cena por cena. E também, tudo deveria ser produzido em uma velocidade absurda que também n√£o me permitia mexer muito no texto original. Minha sorte é que eu tinha muita facilidade para digita√ß√£o, numa época em que o Google tradutor n√£o era t√£o popular (risos).

MemóriaDaTV: Voc√™ tinha autonomia para alterar ou incluir tramas paralelas ou criar di√°logos?

Quando necess√°rio, sim! Cito como exemplo o entrecho da novela Marisol em que o personagem Chico, vivido pelo Rodrigo Lombardi, sonhava em ser um jogador de futebol. No original, o personagem era um toureiro, algo inexistente na cultura brasileira. Muitas situa√ß√Ķes e cenas referentes a esse enredo, eu tive que roteirizar, porém sem alterar a história original.

MemóriaDaTV: Qual foi a novela que mais gostou de adaptar e por qu√™?

Pérola Negra, porque, além de ser uma história deliciosa e fascinante, foi a novela em que eu tive muita autonomia para trabalhar com o texto. Quem me conhece mais de perto sabe que muitas falas da Pérola, da Ros√°lia e do Tom√°s s√£o coisas que eu costumo dizer no meu dia a dia, por exemplo.

MemóriaDaTV: Voc√™ acha que adapta√ß√Ķes de novelas estrangeiras ou remakes mostram um certo "medo" do SBT em apostar em novelas originais?

Eu acredito que seja uma forma de apostar em algo que j√° fez sucesso em outros pa√≠ses e que pode se repetir também aqui no Brasil. Antes de serem produzidas aqui, o desempenho dessas novelas no exterior era avaliado. Televis√£o é uma empresa comercial como qualquer outra e visa a lucros - no SBT, isso n√£o é diferente. Existe também um preconceito muito grande com rela√ß√£o a isso, dando a entender que o que é de fora tem valor inferior e o que é feito aqui é muito melhor, quando se sabe que sempre tivemos incont√°veis fiascos nacionais em todas as emissoras.

MemóriaDaTV: Como voc√™ enxerga o atual momento da teledramaturgia do SBT?

Encontraram no p√ļblico infanto-juvenil um nicho interessante e fiel que garante audi√™ncia e aceita√ß√£o e as produ√ß√Ķes n√£o tentam se comparar às de outras emissoras. Segundo soube pela imprensa, eles paralisaram as atividades e o futuro dessas produ√ß√Ķes ainda é incerto.


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MemóriaDaTV: Como voc√™ enxerga o atual momento da teledramaturgia brasileira?

Um momento de total transforma√ß√£o de padr√Ķes. A teledramaturgia via streaming é a tend√™ncia do futuro. As histórias, assim como as emissoras, devem se adaptar à realidade do p√ļblico de hoje, j√° que a tend√™ncia é cada vez menos as pessoas se submeterem ao televisor num certo hor√°rio para acompanhar uma história e, no final da edi√ß√£o, ainda ficarem presas ao gancho do cap√≠tulo do dia seguinte. Agora se assiste quando se quer e quanto tempo se quer. Além disso, o streaming abre mais campo de trabalho para atores, técnicos, roteiristas, antes restrito a poucas emissoras que investem na √°rea.

MemóriaDaTV: Voc√™ chegou a escrever alguma novela original?

N√£o escrevi e, sinceramente, nunca tive interesse, porque escrever uma novela original é um processo complexo que envolve muitos fatores internos que o grande p√ļblico talvez desconhe√ßa e que talvez me desagradem. Embora sempre tenha gostado de escrever e tenha facilidade pra isso, fiz novelas por absoluto acaso, nunca planejei nada, mas acredito que tenha sido bem sucedido, pois, embora n√£o trabalhe com teledramaturgia h√° anos, n√£o h√° uma semana em que alguém n√£o me procure nas redes sociais para elogiar ou comentar sobre esses trabalhos, me chamar para lives e entrevistas como esta. Enfim, foi uma fase legal da minha vida, mas, como toda fase da vida, passa. Talvez voltasse às novelas se fosse algo no estilo que acredito que fiz bem durante anos. Meu abra√ßo a todos e obrigado pela entrevista!

A gente do 'Memória da TV' agradece demais o bate-papo, Henrique! Muito sucesso pelo seu caminho!


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