Fim da TV Tupi abriu caminho para o SBT. Silvio Santos nunca rompeu a promessa inicial de fazer uma programação extremamente popular

Por Rodrigo Felício em 11/09/2020 às 21:26:51
Silvio Santos na estréia de "A Praça é Nossa"

Silvio Santos na estréia de "A Praça é Nossa"

Em 1975, o governo federal abriu "licitação" para o canal 11 do Rio de Janeiro. Incentivado pelo amigo e ex-sócio Manuel de Nóbrega, pai de Carlos Alberto de Nóbrega (atual apresentador do humorístico "A Praça é Nossa), que o ajudou no início da carreira, Silvio resolveu participar da disputa.

Em dezembro de 1975, Silvio recebeu a concessão para operar o canal 11. Na noite do dia 14 de maio de 1976, os cariocas puderam ver pela primeira vez a TVS, sigla para TV Studios Silvio Santos, antigo canal 11 do Rio de Janeiro. Concedido pelo governo federal, o canal é o embrião do SBT, que seria lançado cinco anos depois

Já em São Paulo, o fim da TV Tupi, abriu caminho para o empresário ampliar sua rede. Silvio Santos levou o Canal 4, que era operado pela emissora de Chateaubriand, com a promessa de fazer uma programação popular. Em agosto de 1981, o empresário formou o Sistema Brasileiro de Televisão, ou SBT.

Na manhã do dia 19 de agosto de 1981, o SBT entrava no ar pela primeira vez já com a proposta inédita de mostrar a solenidade de assinatura da concessão e o discurso de Silvio Santos, ao vivo e a cores, diretamente do Ministério das Comunicações, em Brasília.

Silvio Santos assinando a concessão do SBT em 1981

Um caso curioso e que mostraria, digamos, uma característica da emissora, é que a cerimônia foi reprisada à exaustão naquele 19 de agosto, até ás 11h30, entremeada com desenhos e o programa do palhaço Bozo. As 12h30m, a transmissão voltou para Brasília, com um almoço na Casa da Manchete, numa confraternização entre Oscar Bloch e Sílvio Santos.

Atualmente, o canal possui mais de 100 afiliadas espalhadas por todo o território nacional.

Para colocar a TVS no ar também em São Paulo Sílvio Santos tirou literalmente as "mãos no bolso". Comprou novos equipamentos, montou sua sede na Vila Guilherme, com 11 mil metros quadrados e contratou, inicialmente, cerca de 200 empregados da antiga TV Tupi, da qual herdou a concessão. Era parte de uma 'promessa' que o empresário havia feito ao saber da situação de grande parte da massa de ex-funcionários da TV Tupi.

Esses funcionários estavam sem salário e sem trabalho há mais de um ano.

Ao longo de sua trajetória o SBT cumpriu a promessa de início e povoou sua grade com muita programação popular. Como não lembrar de "O Povo na TV" (1981), "Programa Silvio Santos" (1981), "Moacyr Franco Show" (1981), "Hebe" (1986), "A Praça é Nossa" (1987) e "Viva a Noite" (1988).

Hebe, na estréia de seu programa do SBT em 1986

Aliás, o SBT na década de 80 foi a "casa" dos mais consagrados apresentadores da TV como Hebe, J. Silvestre, Miele, Moacyr Franco, Gugu Liberato e o próprio Silvio Santos.

Silvio aliás sempre foi craque em surpreender. Criava ações de marketing que deixavam a concorrência "comendo poeira". Táticas de "guerrilha" que chegavam a fazer com que a gigante Globo se movimentasse e mexesse em sua programação. Foi assim quando exibiu a série "Pássaros Feridos" (1985), por exemplo. Ou talvez quando surpreendeu o público com a "Casa dos Artistas" "furando" a Globo que se preparava para estrear o "BBB" e impôs uma derrota histórica ao "Fantástico".

Nos anos 90, a emissora produziu grandes atrações como "Programa Livre" (1991), "Aqui Agora" (1991), "Bom Dia & Cia" (1993) e "Topa Tudo por Dinheiro" (1992). As novelas mexicanas, que já era um investimento da emissora, ganham ainda mais força nos anos 90 com sucessos como "Carrossel" (1991), "Simplesmente Maria" (1992) e tantas outras.

Gugu Liberato, pupilo de Silvio Santos reinou no final dos anos 80 e anos 90

Rapidamente a emissora tomava o posto de vice-líder de audiência no Brasil. E, como nenhuma outra, conquista um carinho especial do público, que chegava a "vibrar" quando a emissora batia a Globo no Ibope.

Com o passar dos anos, entre altos e baixos, o SBT continua no posto de vice-líder do Brasil, hora ameaçada pela TV Record, hora ameaçada por decisões internas do próprio Silvio Santos que, muitas vezes, se esquece que Televisão é hábito. O troca-troca de horários e programas, sem aviso prévio, se intensificou nos últimos anos e o reflexo que se impôs foi uma "estagnação" no desempenho no Ibope.

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