Os Festivais da Record viraram coqueluche nacional e foram palco de manifestações 'ocultas' durante a Ditadura Militar

Por Redação em 01/09/2020 às 20:18:01
Caetano Veloso, alçado ao estrelato nos Festivais da Record

Caetano Veloso, alçado ao estrelato nos Festivais da Record

Se tem uma coisa que marcou os anos 60, além das novelas e dos memoráveis shows de humor e variedades, foram os musicais. Muitos chegam a chamar a década de "Era dos Festivais" ou "Era Musical". Isso porque havia muita coisa envolvida, além de um simples espetáculo de televisão.

Os grandes Festivais vieram no embalo dos programas de auditório e da popularidade que a rádio ainda exercia naquele momento. E, em pouco tempo, se transformaram numa verdadeira coqueluche nacional.

A importância dos Festivais televisionados nesta época tem uma importância cultural – e porque não dizer social – inestimável. Num momento em que a ditadura militar vivia seu início de fato, o palco se tornou um espaço de manifestação política dos artistas. Através de suas músicas e metáforas, eles podiam passar mensagens de maneira singular.

Como não lembrar dos Festivais da TV Record que lançaram ao estrelato nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil e Nara Leão.

A TV Excelsior realizou o "1º Festival de Música Popular Brasileira" em 1965, cuja a vencedora foi Elis Regina com a canção "Arrastão". Em ato contínuo, TV Record a contratou para comandar o programa "O Fino da Bossa". E mais: conseguiu "roubar" o festival da concorrente e passa a produzi-lo. A partir daquele momento, o "Festival", se transformava em pauta nacional. Na grande final da segunda edição, por exemplo, com o empate das músicas "Disparada", de Geraldo Vandré e Theo de Barros, e "A Banda", de Chico Buarque, não se falava em outra coisa nas ruas.

Elis Regina canta 'Arrastão' e leva o primeiro lugar no Festival da TV Excelsior (1965)

Na verdade, a pioneira mesmo nesta história toda foi a Record. Isso porque em 1960 ela é quem produziu o primeiro festival que se tem notícia. Era o minguado "Festa da Musica Popular Brasileira" que não teve muita repercussão mas... teve corrida de garçons, teve finalista que morreu antes do encerramento e... não teve novas edições. Que urucubaca!

Mas, ao mesmo tempo, a Record foi peça fundamental para o sucesso a partir da metade da década, pelo espaço que deu e pelo investimento que fez.

O programa "Jovem Guarda" exibido nas tardes de domingo a partir de 1965 liderou o movimento do "ie-ie-ie", trazendo no comando Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderleia e outros. O público lotava o Teatro Record para acompanhar o programa ao vivo.

Público lotava o Teatro Record para acompanhar as gravações do programa "Jovem Guarda"

Tentando "surfar" na onda, inicialmente a TV Rio patrocina o o "Festival Internacional da Canção" em 1966. Ano seguinte, passa a ser promovido pela Globo até o início dos anos 70. Pelo palco da Globo desfilaram nomes como Nana Caymmi, Milton Nascimento, Tony Tornado e Maria Alcina. Mas a repercussão estava bem distante dos momentos vividos naqueles 'loucos' anos 60.

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