Top 5: As cinco novelas que marcaram os anos 60 e a teledramaturgia nacional

Por Rodrigo Felício em 30/08/2020 às 19:15:20
Luis Gustavo e Bete Mendes na novela "Beto Rockfeller", uma das mais importantes!

Luis Gustavo e Bete Mendes na novela "Beto Rockfeller", uma das mais importantes!

Antes de mais nada, já quero antecipar minha defesa. Este texto não é sobre as melhores novelas da década de 60, mas a minha seleção das que considero mais importantes, ou seja, aquelas que, de alguma forma, foram decisivas para alguma mudança ou evolução.

Qualquer reclamação, falem com a Santa Clara!

Dito isso, vamos ao Top 5 dos anos 60 (a ordem é cronológica):

2-5499 Ocupado (1963)

Exibida pela TV Excelsior a novela não foi um sucesso estrondoso, mas foi muito importante para que a telenovela começasse a ganhar o formato que você curte hoje em dia.

Foi a primeira telenovela diária da TV.

Cartaz anunciando a estréia da primeira novela diária da TV

Edson Leite, diretor artístico da emissora, escolheu um texto de sucesso no exterior e escalou duas de suas maiores estrelas: Gloria Menezes e Tarcísio Meira. A novela foi exibida no formato diário apenas para o Rio de Janeiro. Em São Paulo, ainda foi transmitida três vezes por semana.

A novela foi escrita por Dulce Santucci, inspirada no original de Alberto Migré, um autor argentino. Nela, Emily (Glória Menezes), uma detenta, trabalha como telefonista no presídio. Certo dia, atente uma ligação por engano e se apaixona pela voz do outro lado da linha (no caso o vozeirão de Tarcísio Meira, que interpretava o advogado Larry).

A trama ganhou uma nova versão na Record em 1999 com o nome de "Louca Paixão", protagonizada por Mauricio Mattar e Karina Barum.

O Direito de Nascer (1964)

Esta novela sim foi um pacote completo. O primeiro grande sucesso da teledramaturgia brasileira. Não vou me estender muito, pois já falamos dela na matéria de ontem. Clique aqui e leia!

Nathalia Timberg e Amilton Fernandes em "O Direito de Nascer"

A história de Albertinho Limonta (Amilton Fernandes) que é salvo da morte e criado pela empregada Dolores (Isaura Bruno) e se torna média emocionou o Brasil. Já era esperado tal comoção. Anteriormente a trama já havia se transformado em fenômeno no rádio e em revistas, no formato de fotonovela (sim, existia esse formato, bebê!)

Exibida em São Paulo pela TV Tupi e, no Rio de Janeiro, pela TV Rio, para se ter uma noção, seu final lotou o Ginásio do Ibirapuera e o Maracanãzinho. Com direito à carreata com o elenco sendo aclamado pelo público nas ruas.

A novela foi escrita por Talma de Oliveira e Teixeira Filho, baseada no original do autor cubano Felix Caignet.

Redenção (1966)

Exibida pela TV Excelsior, a novela é uma das mais longas da TV. Criada para ter 100 capítulos, ficou no ar por dois anos, totalizando 596 episódios. Não preciso dizer que foi um sucesso, né? Dois anos no ar...

Francisco Cuoco na novela "Redenção" de 1966, uma das mais longas da TV

A trama do médico que chega à uma pequena cidade do interior e desperta a paixão em três mulheres e a curiosidade da população com relação ao seu verdadeiro passado, não era inédita. Já havia sido transmitida pela rádio nos anos 50. Mas a narrativa na televisão evidenciou o talento dos profissionais que faziam a novela.

Uma estação de trem fazia parte do cenário. Por ela, chegavam novos personagens enquanto outros partiam, o que dava à trama um frescor de tempos em tempos. Um fato legal é que o sucesso da novela começou a mostrar que o público estava disposto a "comprar" histórias mais realistas e menos fantasiosas.

Antônio Maria (1968)

Escrita por Geraldo Vietri, a novela "Antônio Maria" começou sem muita pretensão. No entanto, a identificação do público com aqueles personagens tão "humanos" fez da novela um estrondoso sucesso.

Aracy Balabanian e Sérgio Cardoso em "Antônio Maria", da TV Tupi

No início da história, o público é levado a acreditar que o português Antonio Maria (Sérgio Cardoso) vinha tentar a sorte no Brasil. Ele começava a trabalhar como motorista para uma família rica em São Paulo. Rapidamente despertava a paixão das duas filhas de Adalberto Dias (Elizio de Albuquerque), seu patrão: Marina (Carmen Monegal) e Heloisa (Aracy Balabanian). Uma delas, Heloisa, estava noiva e, seu pretendente, prestes a dar um golpe na família.

No entanto, no desenrolar da história, descobrimos que Antônio Maria é, na verdade, um milionário português que veio ao Brasil, na verdade, para fugir de sua madrasta Amália (Gilda Valença).

A novela lançou ainda Tony Ramos e Denis Carvalho.

A TV Manchete fez um remake em 1985, mas sem sucesso.

Beto Rockfeller (1969)

Para finalizar nosso Top Five, a novela que foi determinante para que uma linguagem mais realista passasse a ter mais frequência na telinha.

Na verdade, o desejo em fazer novelas mais realistas era assunto nos bastidores das emissoras. No entanto, o medo de um fracasso bloqueava qualquer ação. Dai o motivo em buscar sempre adaptações de histórias que já tinham sido lançadas. Era muito mais difícil de errar desta forma.

Mas "Beto Rockfeller", da TV Tupi, ajudou a quebrar de vez qualquer barreira que ainda pudesse existir entre o medo dos profissionais de TV de ousarem e o público. Foi um sucesso sem precedentes.

Malandro, Alberto (Luis Gustavo) consegue mudar de vida. Se transforma em Beto Rockfeller e deixa o trabalho como vendedor de uma loja de sapatos e se infiltra na alta sociedade paulista. Qualquer semelhança com Foguinho, personagem de Lazaro Ramos em "Cobras e Lagartos" (TV Globo, 2006) é 'mera coincidência'. Fato é que, a partir dai ele se envolve com a milionária Lu (Debora Duarte) e passa a fazer de tudo para esconder de todos sua origem pobre e manter sua farsa.

A trama era tão realista que o autor Braulio Pedroso chegava a incluir no diálogo dos personagens, notícias que estavam nos telejornais do dia. Por conta disso, as gravações de muitas cenas aconteciam no mesmo dia de exibição. A improvisação do elenco também era bem vinda e a ambiguidade do personagem principal, que transitava entre mocinho e vilão "malandro", arrebatou o público, levando Luís Gustavo ao estrelato.

Mostrando que era um produto certo e único na hora certa, a Tupi tentou beber na fonte mais a frente, lançando quatro anos depois, a novela "A Volta de Beto Rockfeller", mas sem o mesmo sucesso.

- x –

Ao longo do nosso especial, você vai acompanhar aqui no "Memória da TV" muitas histórias legais, engraçadas e de sufoco que os profissionais da TV enfrentaram no início. E foi graças à eles que a TV foi se aprimorando e chega hoje na sua casa com essa qualidade incrível. CLIQUE AQUI E VEJA TODAS AS MATÉRIAS QUE PRODUZIMOS!

E olha:

Se gostou, compartilha nosso texto! E não deixe de nos seguir no Twitter e volte todos os dias no nosso site! Tem notícias do passado e atuais! Tudo num só lugar!

Comunicar erro

Comentários