Telenovela passa a ser diária e os 'dramalhões' dominam a da década de 60: Enfim podíamos chorar todos os dias em frente à TV!

Por Rodrigo Felício em 29/08/2020 às 19:30:35
Nathália Timberg e Amilton Fernandes em cena na novela "O Direito de Nascer" de 1964

Nathália Timberg e Amilton Fernandes em cena na novela "O Direito de Nascer" de 1964

A telenovela vai render muitos capítulos neste especial dos 70 anos da televisão, não tenham dúvida disto!

Já falamos aqui do início da teledramaturgia na TV, da primeira novela em 1950. Depois dela, muitas vieram e eram sempre exibidas de duas à três vezes por semana. Os capítulos eram bem curtos comparados aos de hoje, cerca de 15 minutos. Mas vamos combinar? Imagina, fazer tudo ao vivo!

No início da década de 60, praticamente todas emissoras tinham telenovelas no ar. Em sua grande maioria, adaptações de histórias que já haviam sido contadas nas rádios, em livros ou filmes.

A chegada do vídeo-tape em 1959, seria um divisor de águas. Mais alguns anos e os programas e novelas poderiam ser gravados. Isso possibilitaria duas coisas: 1) Aperfeiçoar as produções; 2) Exibir capítulos diários.

Edson Leite, então diretor artístico da TV Excelsior, decidiu embarcar na nova "empreitada". Com o elenco de estrelas que tinha nas mãos, decidiu exibir, com capítulos diários uma telenovela. Convocou o casal Tarcísio Meira e Glória Menezes, já conhecidos do público, e uma história que já havia sido sucesso no exterior.

Foi assim que lançou, no Rio de Janeiro, a novela "2.5499 Ocupado", escrita por Dulce Santucci, adaptada do original de Alberto Migré, um autor argentino renomado. Destaco o Rio pois a novela foi diária apenas para os cariocas. Os paulista puderam acompanhar a mesma história, através do vídeo-tape, mas ali ainda exibida três vezes por semana. Quer saber mais sobre a novela "2.5499 Ocupado"? Então clique aqui!

Anúncio de estréia da novela "2-5499 Ocupado" com Glória Menezes atrás das grades

A experiência com capítulos diários agradou o público, cada vez mais noveleiro. E as emissoras conseguiram implantar a novidade em praticamente todas as produções a partir dali.

Assim, meus queridos leitores, poderíamos chorar diariamente. Isso mesmo! Digo "chorar" pois os "dramalhões" marcaram aquela década. Não vamos julgar pelos títulos, mas que tal dar uma navegada rápida em algumas novelas: "Aqueles que Dizem Amar-se" (1963, TV Excelsior), "Corações em Conflito" (1963, TV Excelsior), "Se o Mar Contasse" (1964, TV Tupi), "Quando o Amor é Mais Forte" (1964, TV Tupi), "Uma Sombra em Minha Vida" (TV Excelsior, 1964), "Marcados pelo Amor" (1964, TV Record) e "O Direito de Nascer" (1964, TV Tupi e TV Rio). Aqui precisamos dar uma parada, queridos!

"O Direito de Nascer" foi, digamos, o primeiro grande sucesso da teledramaturgia nacional. Aquele 'maior dos maiores', como diria minha sobrinha de dez anos. Uma coqueluche nacional! Já havia ganhado versões no rádio e em revistas como 'fotonovela', mas na TV a repercussão se potencializou a ponto do elenco sair em desfile pelas ruas de São Paulo, ao final da trama.

Sente o drama: A novela se passava em Cuba. Maria Helena (Nathalia Timberg) se apaixona por Alfredo (Henrique Martins). As famílias de ambos são inimigas mortais. Dolores (Isaura Bruno), a empregada, é a única que sabe de toda a história. Maria Helena engravida e Alfredo não aceita o filho: pede para a mulher abortar. Ela se recusa. O pai da moça, Dom Rafael (Elizio de Albiquerque), ao saber da gravidez, tenta obrigar Alfredo a se casar com ela. Ai agora, ela é que não quer mais.

Calma. Respira.

Dom Rafael decide então mandar a filha e a empregada Dolores para uma fazenda, longe de todos, para que ela não seja encontrada. Após o nascimento do neto, o tirano Dom Rafael pede para um de seus empregados mata-lo. Uma coisa meio 'alá Flordelis mesmo'. Aí é que entra a fada sentada! Dolores consegue salvar a criança e foge, sem deixar rastros.

Nathalia Timberg e Isaura Bruno em cena na novela "O Direito de Nascer"

De volta à Havana, Maria Helena sofre rejeição por ser mãe solteira e – pasmem – é abandonada pelo pai em um convento. E ela faz o que? Vira freira! E se vive numa tristeza sem fim, na esperança de um dia reencontrar seu filho.

Anos e anos se passam... Albertinho Limonta (Amilton Fernandes), criado por Dolores, se forma médico. É quando Dom Rafael, o tirano lá no inicio da história que mandou mata-lo, sofre um acidente e precisa de transfusão de sangue. Ao ouvir a notícia pelo rádio, Albertinho decide doar e salva a vida dele. Em gratidão Dom Rafael permite que ele namore com sua neta, Isabel Cristina (Guy Loup).

Agora... imagina quando este novelo todo começa a se desenrolar.... o tanto de gancho que essa novela teve, minha gente, não está no gibi!

Contei a trama dela mais para ilustrar os dramas que eram retratados nas novelas. Nada contra, aliás. Mas as novelas usavam e abusavam de histórias melosas... e dava certo! O público crescia à cada nova novela que estreava.

Estava feito!

A telenovela brasileira era um sucesso comercial e de público. Uma unanimidade nacional.

O paradigma de "dramalhão" adentrou as novelas da Globo. A autora cubana Gloria Magadan se tornou a Diretora do departamento de Telenovelas da emissora nos anos 60 e escreveu as tramas mais "loucas" que você possa imaginar. Já falamos de "A Gata de Vison" na seção História da TV aqui site. Clique aqui e Leia!

A mudança na linguagem começaria a ser experimentada no final dos anos 60 com algumas tramas da TV Tupi. Mas... falamos sobre isso amanhã, neste mesmo bat-canal.

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Ao longo do nosso especial, você vai acompanhar aqui no "Memória da TV" muitas histórias legais, engraçadas e de sufoco que os profissionais da TV enfrentaram no início. E foi graças à eles que a TV foi se aprimorando e chega hoje na sua casa com essa qualidade incrível. CLIQUE AQUI E VEJA TODAS AS MATÉRIAS QUE PRODUZIMOS!

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