Com vocês 'TV na Taba', o primeiro programa da Televisão do Brasil. Veja em detalhes como foi!

Por Rodrigo Felício em 23/08/2020 às 18:08:55

"As imagens virão ao encontro da visão e das sensibilidades humanas"

Segunda-feira, 18 de setembro de 1950. 17h.

Personalidades militares, civis, artistas e empresários (donos de empresas que viriam, inclusive, a patrocinar os programas de TV) se reuniram no alto do Sumaré em São Paulo para a solenidade que dava início às transmissões da PRF-3-TV, a TV Tupi. Um sonho do empresário Assis Chateaubriand que se materializava, enfim.

Como o aparelho ainda era caro e nada popular, Chatô mandou instalar alguns em diversos pontos da cidade de São Paulo, além de Campinas, Jundiaí e Santos, para que as pessoas pudessem acompanhar.

A primeira imagem: Dom Paulo Rolim Loureiro, bispo auxiliar de São Paulo, no centro do palco abençoou os estúdios e caminhou até a câmera, sobre a qual jogou água benta. Não, a TV não "pifou" como muitos relatam. Esta aliás é uma das primeiras lendas a respeito da história da televisão.

Em seguida, Assis Chateaubriand tomou a palavra e relatou o orgulho que tinha daquele momento. Lamentou a ausência do diretor do Banespa, Oswaldo de Barros, que foi uma peça importante para que a televisão se tornasse realidade, através de financiamentos e facilidades para "agilizar" o projeto.

Assis Chateaubriand no discurso de inauguração da TV Tupi em 1950
Houve ainda um discurso da poetisa Rosalina Coelho Lisboa Larragoiti apontada, na época, como "madrinha" da Televisão. É dela, aliás, a frase que inicia este texto.

Em seguida, Homero Silva e Lia de Aguiar leram aqueles que seriam os primeiros anúncios da TV. Um texto mencionava todas as empresas que contribuíram para que aquele momento acontecesse.

Após esta primeira parte, houve um coquetel e jantar oferecido aos convidados.

Segunda-feira, 18 de setembro de 1950. Aproximadamente 21h10.

Entra no ar o primeiro programa da televisão brasileira.

Com locução de Homero Sales, o "TV na Taba" trazia um "punhado" de tudo o que a televisão iria proporcionar a partir de então: notícias, humor, musicais, esquetes de dramaturgia, dança, esportes... A ideia era realmente mostrar a variedade... e com imagens!

Foram duas horas ininterruptas de muito sufoco e frio na barriga de Dermeval Costa Lima e Cassiano Gabus Mendes. Os dois costuraram os quadros, levando o público ao delírio.

A atração começou com a atriz Yara Lins, vestida de índia, anunciando o prefixo da emissora. Logo depois, um showzaço da Orquestra de Georges Henry e do instrumentista William Fourneaux. Em seguida, para descontrair e fazer rir, Xisto Guzzi, Simplício, Lulu Benencase, Adaisa de Oliveira, Walter Avancini, João Monteiro, Nelson Guedes e Geni Prado encenaram a "Escolinha do Ciccillo", que já era um sucesso no rádio.

Wilma Bentivegna e Rosa Pardini nos bastidores do "TV na Taba", primeiro programa transmitido pela TV Tupi em 1950

O "TV na Taba" continuou com mais uma atração musical, agora com o maestro Rafael Puglielli a bordo de seu piano. Foi quando entrou no ar Mazzaroppi, astro do cinema e do rádio com suas trapalhadas. A barriga de muitos chegava a doer de tanto rir. Em alguns momentos o público até se esquecia de quão "louco" era aquele momento de que estavam sendo testemunhas.

Dando prosseguimento, Aurelio Campos e sua equipe trouxeram o "Video Esportivo" com as principais notícias do mundo do esporte. Para novamente dar uma "quebrada", Wilma Bentivegna surgia com os Garotos Vocalistas, um sucesso da época. Sem intervalos e, com certeza, com o coração na mão, a bailarina Lia Marques e Marcos Ayala entraram encenando "Romance Espanhol", seguido por uma esquete chamada de "Ministério das Relações Domésticas", com Walter Foster, Lia de Aguiar e Vitoria de Almeida. O clima de magia então, mais uma vez era quebrado para o noticiário político com Mauricio Loureiro Gama.

Fizeram parte do roteiro, nesta ordem, o "Clube do Papai Noel", com o elenco mirim do rádio, um pequeno filme com a estrela Rayto de Sol e, finalmente, a musa Lolita Rodrigues. Esta surgiu com um coral e entoou o, me desculpe, "estranho" e sem "rima" hino da televisão.

E foi assim que se finalizou o espetáculo. O público, claro, aprovou. A imprensa amou e, a partir dali, começou definitivamente a história da Televisão no Brasil.

Nos dias que se seguiram a programação era apenas noturna e sempre um "compilado" de atrações. A programação diurna só passou a ser uma realidade na metade dos anos 50.

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