'Cidades e Soluções' revisita Petrópolis quatro meses depois da tragédia das chuvas

Por Redação em 18/06/2022 às 15:49:00

Os eventos climáticos extremos, como fortes chuvas que causam alagamentos e deslizamentos de encostas, têm se intensificado nos últimos anos no Brasil. O fenômeno, agravado pela falta de políticas públicas de prevenção por parte dos governos, provocou catástrofes em cidades brasileiras, como Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e Recife, capital de Pernambuco, causando centenas de mortes. O "Cidades e Soluções", da GloboNews, deste domingo, dia 19, revisita Petrópolis e mostra o que foi feito no município até agora para evitar novas tragédias.

Depois de quatro meses, o jornalista André Trigueiro voltou ao epicentro da enchente e maior ponto de desabamento de casas, o bairro Alto da Serra - onde fica o Morro da Oficina – e entrevistou sobreviventes daquele dia 15 de fevereiro de 2022. "Hoje, a gente vê o livramento que a gente sofreu. Mas, é muito triste voltar aqui e ver que tem muita coisa a ser feita", fala Claudia da Conceição, uma das moradoras do bairro que perdeu a residência na segunda enchente que aconteceu em Petrópolis, em março.

Em entrevista à equipe do "Cidades e Soluções", o prefeito do município, Rubem Bomtempo, disse que geografia da cidade é propícia a deslizamentos em virtude de a vegetação estar sob uma capa de argila rasa e, que, as rochas fragmentadas, que desceram a partir do volume intenso de chuva que caiu no município, também são fatores de risco. Entretanto, a ocupação desordenada das áreas de risco e a falta de fiscalização por parte dos governos contribuem para que situações semelhantes aconteçam e mais pessoas percam suas vidas neste tipo de tragédia. "Em nosso país, hoje, estima-se que, aproximadamente, 10 milhões de pessoas vivem em lugares inseguros: ameaçados por enchentes, deslizamento de terra ou de pedra. Dez milhões de pessoas é equivalente à soma das populações de Salvador, Fortaleza e Belo Horizonte", diz André Trigueiro.

Eventos climáticos extremos, além de causarem mortes e destruição, deixam um impacto socioeconômico nas cidades. Especialistas ouvidos pelo programa apontam que a melhor solução para minimizar essas consequências é o desenvolvimento de políticas públicas de prevenção destes eventos, como o mapeamento e a retirada das populações que vivem em áreas de risco, bem como a instalação de sistemas de sirenes que avisam previamente a ocorrência de fortes precipitações. A prefeitura de Petrópolis cita o exemplo do trabalho que está sendo feito a partir da dragagem dos rios para evitar novos alagamentos na cidade.

Sueli dos Santos, presidente da associação de moradores do Alto da Serra, conta que o imóvel dela está interditado pela Defesa Civil do município. Mas, ela, sem saída, acabou voltando para a residência. "Eu fico 24 horas acordada (quando chove forte). Eu já tenho trauma. Não tem centro de apoio mais. Se chover muito, a única coisa que a gente pode fazer é correr para ficar em um lugar com menos perigo. Eu tenho medo, sim", revela Sueli.

O programa também relembra as fortes chuvas que caíram no estado de Pernambuco nos meses de maio e junho deste ano. Ao todo, 54 cidades foram atingidas, 129 pessoas morreram e outras 9 mil tiveram de ir para abrigos. "Foi desesperador. É muito triste você passar tanto tempo num lugar, fazer tanta coisa e tudo cair", fala uma moradora, emocionada, em Recife. Segundo cálculos da Defesa Civil local, o que choveu no estado foi um volume de água jamais visto nos últimos trinta anos. Em apenas 24 horas, choveu cerca de 280mm. O esperado para o mês todo de maio é, historicamente, em torno de 310mm.

O "Cidades e Soluções" será exibido neste domingo, dia 19, às 21 horas, na GloboNews.


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