Bruno Luperi conta as novidades de 'Pantanal' e fala da torcida do avô, Benedito Ruy Barbosa

Por Redação em 25/03/2022 às 23:27:09

Bruno Luperi era ainda um bebê quando a primeira versão de "Pantanal" estreou na extinta TV Manchete e revolucionou a teledramaturgia. Passados mais de 30 anos, ele tem agora a missão de dar continuidade ao legado de seu avô, o autor Benedito Ruy Barbosa, e está à frente da nova versão, que estreia nesta segunda, dia 28.

Uma grande missão, né? Mas também nada fácil. Já são dois anos que Bruno se dedica exclusivamente à novela que estamos loucos para assistir. Vamos ver o que ele tem para nos falar sobre "Pantanal"?


Como está a expectativa, Bruno?

"A expectativa é das maiores. Com certeza, é o trabalho mais importante da minha vida e possivelmente, um dos mais importantes que eu vou fazer até o fim dela. Estou no começo, ainda tenho muita coisa pela frente, mas posso dizer isso, sem dúvida, porque eu sei o que "Pantanal" significa para o meu avô, para o Brasil e para a dramaturgia. Então a responsabilidade é tripla."


A nova Juma

"A Alanis (Guillen) foi um acontecimento mesmo. Quando a Rosana Quintaes (produtora de elenco) trouxe o nome dela, a gente ainda estava naquele momento de 'até eu queria ser a Juma'. Quando surgiu o nome da Alanis foi arrebatador. Quando eu olhei para o olho dela... Não tinha como não ser. A Juma é dela."


A gente quer saber: algo mudou da Juma de Benedito para a Juma do Bruno?

"Não de essência. A Juma da essência do meu avô é minha Juma. Enxergo muita beleza ali! Gosto dela mais bicho e menos mulher."

"Eu vejo o Jove como um corpo masculino, sem nenhum problema com a sexualidade dele, mas com a essência do que a gente entende que é mulher. Ele é criado por três mulheres no Rio de Janeiro, tem espaço para ser mais sensível, mais empático, tolerante."

"A Juma não tem medo de ser masculinizada, de ocupar um espaço mais forte na relação, enquanto Jove não se incomoda em ocupar o extremo oposto."


Avô coruja

"Meu avô está numa posição de avô, bem coruja. Com certeza ele é quem mais está torcendo por mim, pela minha carreira, para dar certo, para isso funcionar. De certa forma, o legado dele que segue a partir do meu texto, das minhas palavras. E ele também é pai desta obra. Então tem um conflito de interesses, um "ciuminho".

"É uma coisa natural de autor, de ter curiosidade. A gente conversou muito no começo. Ele falou "não deixaria ninguém mexer, só você" ".

(Errado o Benedito não está, né? )


Viagem ao Pantanal

Olha que inusitado o que Bruno nos contou: ele só conheceu Pantanal recentemente, quando começou a escrever a nova versão da novela.

"O Pantanal é o meu avô, foi um divisor de águas na carreira dele e na vida da nossa família também. E ele sempre prometia para a gente que iria nos levar ao Pantanal um dia para conhecer. Aí foram passando os anos e o Pantanal nunca vinha. Acabou que eu fui conhecer o Pantanal agora, com 32 anos. Foi uma sensação muito, muito forte. "

"É um dos lugares que eu fui, no Brasil e no mundo, que mais vibra numa sintonia muito majestosa."


A natureza na novela

"Pantanal" permite esse mergulho no Brasil profundo, nesse universo forte da cultura pantaneira, de peão de boiadeiro, na cultura das mulheres. A maior força dessa novela é colocar a natureza como protagonista. Na trama, o Pantanal determina a vida de todo mundo, todos os personagens e essa é a grande mensagem. "

"Tudo começa com o velho Joventino, que entende que não precisa dominar o boi, ele entende que não tem domínio sobre a natureza, e por isso se entrega à ela. E daí surge o Velho do Rio, que está ali como maestro, conduzindo aquele espaço para que funcione de maneira mais digna. Dele vem os diálogos mais importantes sobre a conexão do homem com a natureza, sobre essa reconexão."



O que podemos esperar da nova versão?

"Para mim, o pilar central dessa adaptação é preservar a história que foi contada há 30 anos. Ela tem de ser traduzida para os dias de hoje, para os conceitos e valores de hoje. Muitas coisas nesses 30 anos ficaram para trás, mas a essência da história permanece a mesma. É sobre afeto, relações familiares, uma grande saga familiar, e fala sobre a relação do homem consigo mesmo, com o meio ambiente, com o meio onde está inserido, sobre contratos sociais. "

"É uma trama muito pertinente e ela foi pertinente 30 anos atrás porque, na época, foi contemporânea. Hoje, para ela ter a mesma força e o mesmo significado que teve, precisa ser fresca e moderna, ressignificando alguns assuntos e tentando traduzir esse espaço para o qual ele foi proposto para os dias atuais."


Temas polêmicos

"Procurei ser honesto na trama e também responsável. O público verá situações de machismo porque elas existem, mas verá também personagens contestando essas falas e atitudes. Jove e Guta são personagens que trazem bastante essa conversa, são as vozes dos novos tempos."

"Procurei legitimar as personagens femininas, trazer luz para as questões que envolvem elas e para a força que elas têm. A Filó tem uma força brutal, a Irma, a Madeleine e a Mariana seguram uma barra, a Guta tem uma função naquele universo e isso não pode passar sem a devida importância, assim como as mulheres que vivem na tapera. "

"Dentro dessa história, temos a Maria Bruaca. Para esse núcleo que está ao redor do Tenório, foi preciso um olhar delicado. O Tenório é um vilão tão possível, tão frequente... São muitas as mulheres que se submetem a esse jogo como a Maria Bruaca. "

"E essa história permite uma grande emancipação. Queremos fustigar mudança. A novela permite isso. São vários os temas que vamos abordar e estamos fazendo isso com muita responsabilidade, com um estudo grande por trás, buscando argumento com uma equipe muito competente. "

Não dá para perder a estreia de "Pantanal" nesta segunda, dia 28!


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