'Anastácia, a Mulher sem Destino': Em sua estreia na Globo, Janete Clair descascou um 'abacaxi': criou terremoto, matou quase todos os personagens, iniciou nova trama e foi 'coroada' na emissora

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 07/03/2022 às 13:50:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro de 2021 comemorou 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

Janete Clair é considerada uma das maiores autoras de telenovelas da história do Brasil. Na Globo foi responsável por grandes audiências, tramas que conquistaram a atenção dos brasileiros. Quando uma novela de sua autoria entrava no ar, o assunto nas rodas de conversa eram seus personagens.

Hoje vamos relembrar a estreia dela na Globo.

Numa década dominada pelas mirabolantes histórias de Gloria Magadan, a dramaturgia da Globo estava passando por maus bocados em 1967. No ar, a novela "Anastácia, a Mulher sem Destino", escrita por Emiliano Queiroz era um problema daqueles: baixa audiência, elenco monstruoso (de grande.. rs) e uma trama confusa que se mostrava sem direção. Emiliano, que também era ator, se sensibilizava com pedidos dos amigos e, para dar um trabalho à eles, criava um personagem e "jogava" na história.


Baseada no folhetim francês "A Toutinegra do Moinho", de Émile de Richebourg, a novela criada por Queiroz tinha poucas semelhanças com o original. Se passava na França, no século XVIII. Em Paris, Henri Monfort (Henrique Martins) é um dos que lutam contra a monarquia vigente na época. Casado com Anastácia (Leila Diniz), ele planeja a fuga de sua família para o Castelo de Monfort, propriedade que acabara de herdar. Mas, na hora da partida, é preso, fazendo com que Anastácia e a filha recém-nascida do casal, Henriette, sigam sozinhas.

But, vítimas de uma emboscada, as duas são separadas: Anastácia acaba prisioneira em um navio corsário; e Henriette passa a ser criada pelos camponeses Pierre (Ênio Santos) e Gaby (Miriam Pires), que desconhecem sua origem. A falta de notícias da filha faz com que Anastácia, aos poucos, enlouqueça.

Mas quem enlouqueceu foi a direção da Globo.


Dirigida por Henrique Martins, "Anastácia" ainda teve em paralelo,a trama de Blanche (Aracy Cardoso), filha do Marquês de Serval. Com a morte de Bernard (Hugo Santana), seu grande amor, ela acaba se rendendo ao pedido do pai e casa-se com o comandante Fábio Orsini (Edson França), sem saber que está grávida. O filho de Blanche nasce quando seu marido está em uma expedição em alto mar. Antes de ser entregue a mãe, no entanto, o bebê é raptado pelo marquês e entregue aos camponeses Gaby e Pierre, os mesmos que cuidam de Henriette. Blanche acredita que a criança nascera morta.

Quando retorna de sua longa viagem, Fábio descobre que a mulher tivera um filho durante sua ausência e que, ao contrário do que todos acreditam, ele está vivo. Ao ficar sabendo da verdade, Blanche passa a dedicar sua vida à busca pela criança, indo quase à loucura.

A novela começou a ser exibida as 20h, mas em pouco tempo teve seu horário alterado para 21h. Com uma audiência "capenga", a Globo convocou Janete Clair, que já era conhecida por suas radionovelas e teve uma rápida passagem pela TV Tupi. A frase de Magadan para Janete virou lenda nos corredores da emissora: "Eu tenho um abacaxi para você!"

Gloria Magadan

Assim que assumiu autoria da novela, por volta do capítulo 40, a autora escreveu um grande terremoto que dizimou quase todos os personagens (cerca de 100). Ela usou ainda o recurso de passagem de tempo. 20 anos depois, os filhos de Anastácia (Leila Diniz) e Blanche (Aracy Cardoso) – Henriette e Roger, respectivamente – assumem papel de destaque na trama.

Janete Clair

A saída encontrada por Janete entrou para a história da TV e fez sua "moral" subir dentro da emissora carioca. A partir daí, uma briga de egos com Gloria Magadan iria se instalar – aos poucos – nos bastidores da Globo.

E não perca nossa "viagem" pelas novelas que entraram para a história da TV!

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