'O Bem Amado' foi a primeira novela em cores da televisão, primeira a ser exportada e sofreu com a Censura

Por Redação em 24/01/2022 às 08:56:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro de 2021 comemorou 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

A novela "O Bem-Amado", exibida pela Globo em 1973 entrou para a história da TV por diversos feitos. Foi a primeira novela em cores na TV brasileira, primeira a ser exportada e teve personagens que ficaram para sempre na memória do público.

Escrita por Dias Gomes, a trama criticava os rumos do Brasil. Vale lembrar que, quando foi exibida, o país vivia a ditadura militar. Afrontosa é pouco! Claro, a Globo teve vários problemas com a Censura Federal.

Na trama, Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) é um prefeito demagogo e corrupto, que comanda a pequena cidade de Sucupira, no interior baiano. Ele é eleito com o slogan: "Vote em homem sério e ganhe um cemitério". O problema é que ninguém morre para a tal obra ser inaugura.


O que o prefeito faz? chama de volta o famoso matador profissional, Zeca Diabo (Lima Duarte), antes exilado, com o pretexto de que não será mais preso. Tudo com a intenção de que finalmente conseguir algum óbito para estrear o novo cemitério. Odorico só não contava que o criminoso estivesse aposentado, cheio de impulsos virtuosos e só querendo saber da mãe e do sonho de virar dentista.


"O Bem-Amado" foi inspirada na peça "O Berço do Herói", escrita por Dias Gomes nos anos 60. O escândalo político Watergate, que aconteceu em 1972, nos Estados Unidos, e culminou na renúncia do então presidente Richard Nixon, inspirou o Sucupiragate, já que a novela foi ao ar um ano depois. Na trama, Odorico Paraguaçu é acusado de mandar instalar microfone no confessionário da igreja para saber dos segredos de seus inimigos.

O ator Lima Duarte estava perto do fim do seu contrato com a Globo quando foi escalado para o papel de Zeca Diabo. Na peça, o personagem tinha uma pequena importância. Na TV, ele ganhou tanto destaque que ficou até o final da história;

"O Bem-Amado" foi a primeira novela da Globo a ser exportada. Antes, somente os textos eram comercializados. A história foi exibida em 30 países, entre eles os Estados Unidos. No ano de 1977, com a exceção da Venezuela, toda a América Latina estava ligada na trama, que era transmitida pela Spanish International Network. O mercado europeu foi alcançado através da venda de direitos de exibição em Portugal.


O ator Emiliano Queiroz, que deu vida ao Dirceu Borboleta, tirou vantagem da grande novidade na época que era a imagem em cores. Na história, o personagem era um tipo tímido, gago e desastrado. O intérprete tinha um macete para fazer com que Dirceu aparecesse vermelho de raiva nos ataques de fúria dele na novela. O segredo era simples: bastava pressionar a garganta por alguns instantes antes de entrar em cena.

A Censura Federal implicou com as palavras "coronel", que vinha sendo usada para se referir ao prefeito Odorico Paraguaçu, e "capitão", como era chamado Zeca Diabo. Os militares do Regime se sentiram atingidos, já que os apelidos eram usados para personagens "negativos". Em julho de 1973, a produção teve de apagar o áudio de dezenas de citações ao coronel em quinze capítulos já gravados. Palavras como "ódio" e "vingança" também foram vetadas. A música da abertura também foi vetada pela Censura, às vésperas da estreia da novela. Era "Paiol de Pólvora", de Toquinho e Vinícius de Moraes. Toquinho fez então outra música, em substituição: "O Bem-Amado", gravada pelo grupo MPB4


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