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#70AnosDaTelenovela

Chamada de 'diabólica', primeira versão de 'A Viagem' estreou num momento que a Globo exibia reprise no horário nobre


O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

A novela foi "A Viagem", de Ivani Ribeiro, foi um estrondoso sucesso da TV Tupi na metade dos anos 70.

A emissora aproveitou que a censura federal havia proibido a Globo de estrear a novela "Roque Santeiro" e lançou a "novela espírita" enquanto a concorrente exibia a reprise de "Selva de Pedra", programada às pressas para "tapar" o buraco na programação.

A fim de roubar alguns pontos da emissora líder, a Tupi divulgou "Assista a uma novela inédita com capítulos inéditos". E deu certo!

Na trama, após uma tentativa de roubo, Alexandre (Ewerton de Castro) mata um homem. Depois de fugir e buscar ajuda do irmão Raul (Adriano Reys) e cunhado Teo (Tony Ramos), é traído por ambos, que o entregam à polícia. Preso, tem ajuda negada de César Jordão (Altair Lima), um famoso criminalista. Abandonado pela namorada Lisa (Elaine Cristina), ele tem apenas o apoio da irmã Dina (Eva Wilma), que tenta tira-lo da cadeia.


Desolado, Alexandre promete vingança a todos e comete um suicídio.

No plano espiritual, Alexandre começa a atormentar a todos: Raul tem seu casamento transformado num "inferno". César vê seu filho se tornar um delinquente. Téo começa a sofrer "surtos" e começa a ficar violento e acaba se separando de Diná.

Tal fato abre caminho para que Diná se apaixone por César, principal desafeto de Alexandre. O advogado, no entanto, sofre um acidente e morre. Diná passa a sofrer e acaba adoecendo. Ao morrer, se encontra no plano espiritual com seu grande amor e, juntos, tentam trazer o espírito de Alexandre para a luz.


Baseada na filosofia de Allan Kardec (1804-1869), a temática espírita da novela levou a Igreja Católica a tentar um boicote, que por muitos padres era chamada de "diabólica". A Tupi teve dificuldades até de gravar cenas de casamentos em Igrejas, já que a Diocese de São Paulo negou qualquer tipo de colaboração.

Ivani chegou a dar uma entrevista na época para a revista "Melodias" onde se defendeu: "Com A Viagem quis desvendar o mundo espiritual. Acredito muito em Deus e procurei, antes de tudo, aproximar o homem dele. Mostrando o outro lado da vida, procurei provar que as pessoas não precisam cultivar esse pavor imenso da morte. Torno a dizer: A Viagem é uma novela para ser assistida por católicos, protestantes, espíritas e pessoas de qualquer outra religião, porque sua mensagem maior é caridade, amor a Deus, pureza."

Uma curiosidade é que "A Viagem" foi a novela escolhida pela Tupi para uma reprise em seus momentos derradeiros. Sem conseguir concluir "Como Salvar Meu Casamento" e prestes a fechar as portas, a novela foi reprisada a partir de março de 1980, até seu final em julho do mesmo ano.

Em 1994 a Globo produziu um remake da novela, reescrita por Ivani Ribeiro e Solange Castro Neves. Foi protagonizada por Christiane Torloni e Antônio Fagundes. A nova versão se transformou num fenômeno de audiência com um dos melhores desempenhos da faixa das 19h.


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