Para comemorar cinco anos como líder de audiência, Globo produziu adaptação de 'Gabriela' e queria Gal Costa no papel título

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 30/12/2021 às 20:14:23

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

Em 1975 a Globo já estava na liderança de audiência no Brasil há 5 anos, desde a exibição de "Irmãos Coragem". Como forma de "agradecer" a preferência do público e ainda comemorar seu décimo aniversário, decidiu produzir uma telenovela adaptada da obra de Jorge Amado, "Gabriela", que era um sucesso da literatura.

Imortalizada na interpretação de Sônia Braga, a personagem título da história quase foi "vivida" pela cantora Gal Costa. "Pensei em algo inusitado, afinal tínhamos uma Gabriela no imaginário do público brasileiro: Gal Costa", relatou o diretor da Globo, na época, Daniel Filho. "Ela não aceitou! "Sei representar não", disse com aquela malícia baiana e olhar de Gal-Gabriela", concluiu ele em seu livro "Circo Eletrônico. Vale lembrar que Sônia Braga só foi escolhida após a aprovação de Jorge Amado.

A novela teve uma produção hollywoodiana. A Globo montou em Guaratiba, no Rio de Janeiro, uma reprodução de Ilhéus após aterrar um terreno de 1,2 mil metros quadrados.


Adaptada por Walter Georg Durst, que já havia escrito uma versão da trama em 1960 na TV Tupi, "Gabriela" contava a história de uma mulher de natureza livre e impulsiva que consegue trabalho como cozinheira na casa do "turco" Nacib (Armando Bógus), com quem vive uma sensual história de amor. Ele é o dono do Bar Vesúvio, por onde transitam várias figuras pitorescas do local, como o professor Josué (Marco Nanini), Alfredo Bastos (Hemilcio Fróes), Berto Leal (Mário Gomes), Juca Viana (Pedro Paulo Rangel), Ezequiel Prado (Jayme Barcellos), Doutor (Ary Fontoura), João Fulgêncio (Luís Orione), Tonico Bastos (Fúlvio Stefanini) e Tuísca (Cosme dos Santos).

A novela ainda aborda a rivalidade entre o coronel Ramiro Bastos (Paulo Gracindo), fazendeiro que domina a região há anos, e o jovem exportador de cacau Mundinho Falcão (José Wilker), pertencente a uma família rica de São Paulo.

A direção geral da trama foi de Walter Avancini e Gonzaga Blota e o sucesso foi estrondoso. Diversas cenas marcaram época, como aquela onde Gabriela sobe em cima de um telhado de saia para pegar uma pipa e "atiça" os homens da cidade.

"Gabriela" foi a primeira telenovela a ser vendida para Portugal e abriu as portas de outros continentes para a compra de novelas brasileiras. Marcou ainda a estreia de Elizabeth Savala e Natália do Vale na TV.

Em 2012, a Globo exibiu um remake da trama com Juliana Paes no papel título. A nova versão foi adaptada por Walcyr Carrasco e também fez bastante sucesso.


Vale registrar aqui que Jorge Amado foi o romancista mais adaptado pela televisão brasileira. Além de "Gabriela" (com 3 versões), tivemos "Terras do Sem Fim" (1981), "Tenda dos Milagres" (1985), "Tieta" (1989), "Capitães de Areia" (1989), "Tereza Batista" (1992), "Tocaia Grande" (1995), "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1998), "Porto dos Milagres" (2001 – adaptação dos romances Mar Morto e A Descoberta da América pelos Turcos), "Pastores da Noite" (2002).

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