Incompreendida, 'O Grito' foi uma ousada aposta do dramaturgo Jorge Andrade na Globo

Por Redação em 11/12/2021 às 13:00:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

A novela "O Grito", exibida pela Globo em 1975, retratou as neuroses típicas de uma metrópole a partir dos conflitos entre os moradores de um edifício.

Escrita pelo dramaturgo Jorge Andrade, a trama gerou muita polêmica na época. O autor fora "acusado" de criticar a cidade de São Paulo e rebateu, argumentando que sua intenção foi mostrá-la como é na realidade: "dura, fechada, fria". No Rio de Janeiro, a novela "influenciou" negativamente os moradores de um edifício em Ipanema que tentaram expulsar do prédio uma criança excepcional – fato que causou a revolta do autor. O protesto chegou até mesmo no Congresso Nacional, onde o então deputado federal Aurélio Campos fez um pronunciamento contra o que ele qualificava de "distorção da imagem de São Paulo".

Mas qual o conteúdo da novela que despertou tantas reações?

A história se passava num edifício paulista chamado Edifício Paraíso, construído no terreno de uma família quatrocentona cujos remanescentes – Edgard (Leonardo Villar) e Mafalda (Maria Fernanda) – moram na cobertura. A planta original do prédio fora alterada por conta da construção do elevado Costa e Silva, o Minhocão, viaduto que ultrapassava a altura dos dois primeiros andares do edifício. Para atenuar os prejuízos da desvalorização do imóvel, Edgard determina que os andares inferiores sejam divididos em apartamentos de quarto-e-sala. Como resultado, o edifício passa a ser habitado por diferentes classes sociais.

Os moradores, com seus dramas pessoais, são indiferentes aos problemas uns dos outros, até que Paulinho (Marcos Andreas), filho da ex-freira Marta (Glória Menezes), um menino com deficiência mental que grita nas madrugadas, torna-se o pivô de um conflito. Os moradores se dividem entre expulsar ou não mãe e filho do prédio e o debate acaba por aproximar todos.

Em certo momento da trama, o interceptador do prédio desaparece misteriosamente. Como o aparelho permite que as ligações telefônicas sejam monitoradas, se instala um clima de paranoia e desconfiança por parte de todos. Vários moradores acabam por denunciar pequenos delitos e desvios uns aos outros. Os dramas de cada um vão se tornando cada vez mais visíveis.


O texto do autor não foi bem aceito e a novela ganhou fama de "perturbadora". Os gritos do menino Paulinho, na maioria das vezes, apareciam sem aviso prévio e assustava quem assistia. Pra muita gente, era de meter medo.


A crítica e o público "torceram o nariz" para a história, que ficou seis meses no ar. "O Grito" foi ainda a primeira novela da Globo a exibir merchandising de uma marca em sua abertura: Entre as imagens captadas da paisagem urbana de São Paulo, a câmera focalizava uma agência do Banco Bamerindus e um outdoor dos jeans Levi"s.

O elenco reuniu grandes astros da TV. Além dos acima mencionados, estiveram presentes: Francoise Forton, Lourdes Mayer, Flávio Migliaccio, Eloísa Mafalda, Chica Xavier, Yoná Magalhães, Marcos Paulo, Suely Franco, Otávio Augusto, Ruth de Souza, Tereza Rachel, Rubens de Falco e Lídia Brondi.


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