Criada às pressas, 'Pecado Capital' se transformou na melhor telenovela de Janete Clair

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 10/12/2021 às 17:53:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

Com a proibição de "Roque Santeiro" em 1975, que estava sendo gravada e foi cancelada menos de 1 mês de sua estreia, a Globo literalmente correu contra o tempo para colocar no ar uma trama inédita em sua principal faixa de novelas.

Apesar de ter recorrido à reprise de um grande sucesso ("Selva de Pedra" foi escolhida), a Globo tentou aprovar outras 3 sinopses. As três foram reprovadas pela Censura. A opção então foi escalar a "maga das novelas", Janete Clair para desenvolver uma nova história em tempo recorde.

Foi assim que surgiu "Pecado Capital", que é considerada uma das melhores – senão a melhor- trama da autora. A mesma reconhecia que a novela marcava uma "virada" em seu estilo de escrever: "Com a expectativa que Roque Santeiro criou, a responsabilidade de escrever sua substituta era muito grande. Mudei meu gênero. Não fiz Pecado Capital para imitar o Dias (Gomes), mas, pelo menos, para me igualar um pouco ao estilo dele. Levei meu romantismo para o lado realista. Parece que em Pecado Capital em diante eu dei uma melhorada.", relatou a autora em depoimento ao Museu da Imagem e do Som.


"Pecado Capital" foi a primeira novela em cores transmitida às 20h. Janete mostrou com realismo o universo suburbano carioca a partir de um triângulo amoroso formado por um taxista, um viúvo rico e uma jovem operária que sonha melhorar de vida.

O chofer de táxi Carlão (Francisco Cuoco) se transformou num herói não convencional das telenovelas. Noivo de Lucinha (Betty Faria), com quem tem uma relação apaixonada, mas tumultuada por conta do seu machismo, o protagonista vive um drama de consciência depois que assaltantes de banco em fuga esquecem em seu carro uma mala com o dinheiro roubado: não sabe se a entrega à polícia, correndo o risco de ser acusado de cúmplice do roubo, ou se usa o dinheiro para resolver seus problemas. Ele então começa a usar o dinheiro e dá início a sua ascensão social.

No final, Carlão decide vender a frota de táxis para devolver o dinheiro do assalto e, em seguida, entregar-se à polícia. Carlão deixa a mala com o dinheiro nas obras de implantação do metrô do Largo da Carioca, no Centro do Rio, e avisa à polícia. Seguido por bandidos, que roubam a mala, Carlão corre atrás deles e consegue recuperar o dinheiro, mas é morto a tiros.


Alguns cenários e quase todo o elenco da proibida "Roque Santeiro" foram aproveitados em "Pecado Capital". A abertura da novela também foi uma das primeiras do designer gráfico Hans Donner para a TV Globo. Como sugeria a música-tema, ela apresentava um bolo de cédulas de cem cruzeiros levantadas pelo vento.

Em 1998, pelas mãos de Glória Perez, pupila de Janete Clair, a Globo realizou um remake da história com Eduardo Moscovis e Carolina Ferraz nos papéis principais. Apesar de algumas atualizações, Gloria foi fiel à história original e Carlão morreu no final, abraçado à mala de dinheiro. Francisco Cuoco, o Carlão original, participou da novela como Salviano Lisboa, papel que, na década de 70, havia sido vivido por Lima Duarte.


E não perca nossa "viagem" pelas novelas que entraram para a história da TV

E veja todos os textos que publicamos, reunidos aqui!

Comunicar erro

Comentários