'Escrava Isaura' fez a teledramaturgia brasileira se impor mundo a fora!

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 09/12/2021 às 18:53:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

Um dos maiores sucessos da Globo dos anos 70 surgiu de um bate-papo. O autor Gilberto Braga precisava escrever mais uma adaptação para a emissora (ele estava escrevendo apenas este estilo e já havia feito "Helena", de Machado de Assis, e "Senhora", de José de Alencar). Ao pedir uma "dica" para uma antiga professora sua, Eneida do Rego Monteiro, ela não teve dúvidas: "A Escrava Isaura" tinha todos os ingredientes do bom folhetim.

A trama contava a história da escrava branca Isaura (Lucélia Santos), órfã desde pequena e que desconhece quem é seu pai. Sabe apenas que a mãe foi uma mulata, mucama da fazenda onde residia. Isaura sempre foi amparada por Ester (Beatriz Lyra), sua senhora, que a educou como moça da corte. Sua protetora morre e o filho, Leôncio (Rubens de Falco), se torna o administrador dos bens da família. Apaixonado pela escrava e furioso por não ser correspondido, ele se apodera de sua carta de alforria, deixada pela mãe, e aplica castigos cruéis à moça.

A jovem encontra consolo ao descobrir a identidade de seu pai, Miguel (Átila Iório), que decide comprá-la, mas Leôncio não aceita vendê-la. Isaura foge com o pai e assume a identidade de Elvira. Ela conhece o jovem abolicionista Álvaro (Edwin Luisi), mas é desmascarada pelo vilão.


No fim da trama, Leôncio se suicida após ter todos os bens arrendados por Álvaro, inclusive Isaura.

A novela marcou a estreia de Lucélia Santos na Globo e, olha, com o "pé direito". Até os dias de hoje ela é lembrada pela personagem aqui no Brasil e mundo afora. Em menos de dez anos, o folhetim já havia sido exibido em 30 países. Um fenômeno. Segundo ranking da Globo (atualizado em 2016) "Escrava Isaura" já havia sido comercializada para 106 países. Em alguns deles, como na França, por exemplo, chegou a ser exibida sete vezes. A China, país mais populoso do mundo, ovacionou a trama.

Durante muitos anos, "Escrava Isaura" figurou no topo do ranking de novela mais vendida pela Globo no mundo. Este posto foi perdido para outras produções, como "Avenida Brasil". Hoje, figura no Top 5.


Apesar de retratar uma época do Brasil, a novela teve problemas com a Censura Federal. Gilberto Braga relatou: "Quando comecei a escrever Escrava Isaura, fui chamado a Brasília para conversar, porque eles achavam a novela perigosa. Então, na reunião com censores, ficou mais ou menos estabelecido que eu poderia escrever Escrava Isaura, mas que não poderia falar de escravo. Uma censora me disse que a escravatura tinha sido uma "mancha negra" na História do Brasil e que não deveria ser lembrada – aliás, segundo ela, o ideal seria arrancar essa página dos livros didáticos; imagine então falar disso na novela das seis…", contou.

A direção da novela foi de Herval Rossano, que também foi responsável pelo remake produzido pela TV Record em 2004. A nova versão teve uma ótima repercussão e boa audiência. A nova versão contou com Bianca Rinaldi como protagonista e teve a participação especial de alguns atores da primeira versão, como Rubens de Falco e Norma Blum.


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