'Dancin Days' 'viralizou' no final dos anos 70, transformou-se numa coqueluche nacional e - pasmem - foi exibida pela Televisa no México

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 30/11/2021 às 17:59:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

Até os dias de hoje uma festa só é "a festa" se, no final, tocar a música tema da novela, entoada pelo grupo Frenéticas. O hit viralizou em pleno 1978, numa época onde nem sabíamos o que era "viralizar".

Apesar de dançante e colorida, a novela não era uma "festa" sem freio. A trama de Gilberto Braga foi marcada pela discussão dos valores da classe média e das elites urbanas, estilo que o autor iria passar a utilizar em quase todas as suas novelas futuras. Era também a estreia "solo" do roteirista no horário das 20h da Globo (até então ele escrevia adaptações de clássicos às 18h e tinha colaborado com "Bravo").

A ideia original da trama foi da "maga" Janete Clair, uma das maiores autoras de todos os tempos. Ela assistido a uma reportagem sobre ex-presidiárias que tentavam se restabelecer na sociedade e sugeriu o mote ao pupilo, que escreveu a sinopse, aprovada de pronto pela emissora.

"Dancin Days" girava em torno da rivalidade de duas irmãs: a ex-presidiária Júlia Matos (Sônia Braga) e a socialite Yolanda Pratini (Joana Fomm). A primeira, acusada de atropelar e matar um guarda-noturno, é condenada a duas décadas anos de prisão. Após cumprir metade da pena, consegue liberdade condicional. A partir de então tenta, de todas as formas, livrar-se do estigma de ex-presidiária.


Seu primeiro desafio é reconquistar o amor da filha, Marisa (Gloria Pires). A menina foi criada por Yolanda que, com medo de perder a sobrinha, dificulta a aproximação entre mãe e filha. Em sua luta para se reintegrar à sociedade, Júlia conhece o diplomata Cacá (Antonio Fagundes) e os dois vivem um romance atribulado ao longo de toda a história.

Ao longo da trama, ela é novamente presa, mas volta à liberdade e se casa com Ubirajara (Ary Fontoura), um homem rico e apaixonado por ela. A grande reviravolta na história acontece quando Júlia retorna ao Brasil, após uma viagem à Europa, completamente mudada.


Um dos cenários da história era a discoteca Frenetic Dancin Days, onde parte dos personagens extravasava na pista de dança, dando um show à parte. A novela deixou claro, de uma vez por todas, a influência da telenovela nos hábitos de consumo dos brasileiros. Além de querer dançar as músicas, o público desejava e ia em busca das meias coloridas de lurex e sandálias de salto fino utilizadas pelos personagens.


A novela marcou a estreia do ator Lauro Corona na Globo e também foi a primeira dirigida por Marcos Paulo (ao lado de Daniel Filho – que dirigiu a fase inicial - , Dennis Carvalho e José Carlos Pieri).

Um fato curioso que comprova o sucesso da trama global é que "Dancin" Days" foi exibida pela rede mexicana Televisa, uma das principais produtoras e exportadoras de telenovelas do mundo (centenas delas exibidas pelo SBT). O ano era 1986 e foi a primeira vez que o México, país com forte tradição na produção de teledramaturgia, exibiu uma novela brasileira.

Outros 30 países também acompanharam a história, entre eles: Argélia, Bélgica, Bolívia, China, Colômbia, Espanha, França, Polônia, Portugal, Uruguai e Itália.

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