Mistério do assassinato de Odete Roitman parou o Brasil no último capítulo de 'Vale Tudo'

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 16/11/2021 às 15:00:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

O saudoso Gilberto Braga era um danadinho! Em 1988, com toda a classe e elegância ele simplesmente deu um "tapa na cara" da sociedade com a novela "Vale Tudo".

Valores, ética, ambição, inversão de "valores" e o famoso "jeitinho brasileiro" foram colocados em cheque para discussão: Afinal, vale a pena ser honesto no Brasil?. E o resultado não poderia ser outro: um estrondoso sucesso do horário nobre da Globo.

Os autores Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, centraram a discussão sobre honestidade e desonestidade no antagonismo entre mãe e filha: a íntegra Raquel Accioli (Regina Duarte) é o oposto da filha Maria de Fátima (Gloria Pires), jovem inescrupulosa e com horror à pobreza que, logo nos primeiros capítulos da novela, vende a única propriedade da família, no Paraná, e foge com o dinheiro para o Rio de Janeiro com o objetivo de se tornar modelo.

Raquel vai atrás da filha e conhece o administrador de empresas Ivan Meirelles (Antonio Fagundes), por quem se apaixona.

Para ganhar a vida, passa a vender sanduíches na praia. Enquanto a mãe batalha para sobreviver honestamente, Maria de Fátima se alia a César (Carlos Alberto Riccelli), um mau-caráter que a estimula a seduzir o milionário Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), de olho na fortuna do rapaz.


Nos capítulos finais, Odete Roitman (Beatriz Segall), mãe de Afonso, é assassinada, gerando um grande ponto de interrogação na história. O Brasil inteiro, literalmente, parou para saber "quem matou Odete Roitman?" num dos mistérios mais icônicos e lembrados da teledramaturgia nacional.

Os autores escreveram cinco versões diferentes para o último capítulo, ao qual o elenco só teve acesso durante a gravação da cena, poucas horas antes da exibição. Apenas um final foi gravado. A criminosa era Leila, personagem de Cássia Kiss.


Uma novela sem "barriga" (quando a história se arrasta sem grandes acontecimentos) e com elenco onde brilharam personagens de todos os núcleos: Renata Sorrah, como a alcoólatra Heleninha, Reginaldo Faria, como o vilão Marco Aurélio, que se dá bem no final da história, Cristina Prochaska como a lésbica Laís, e Sérgio Mamberti como o mordomo Eugênio.

Diversas cenas entre as personagens Laís e Cecília (Lala Deheinzelin) sofreram com a censura federal à época e precisaram ser reescritas. As duas viviam um romance na trama. "Na época, não houve preconceito. O tema era herança num casamento gay, inspirado no caso do Jorge Guinle Filho. As personagens foram muito bem aceitas", afirmou Gilberto Braga anos depois.


Oficialmente, a censura foi encerrada no Brasil após a promulgação da Constituição de 1988, fato ocorrido durante o período de exibição de "Vale Tudo".

Em 2002, a Globo, em uma parceria com a Telemundo (emissora dos Estados Unidos), produziu uma nova versão de "Vale Tudo", em espanhol: "Vale Todo", com elenco formado por atores latinos. Porém, o reboot não fez sucesso: com previsão de 150 capítulos, terminou no centésimo, com audiência aquém da esperada.

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