Em 1989, 'Pacto de Sangue' foi a primeira novela da Globo exibida totalmente gravada

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 15/11/2021 às 17:00:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Dia sim, dia não, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

Atualmente por conta da Pandemia, a Globo surpreendeu o público ao passar a exibir novelas inéditas totalmente gravadas. A segunda parte de "Amor de Mãe" e "Salve-se Quem Puder", só estrearam quando tiveram suas gravações finalizadas. Assim como "Nos Tempos do Imperador" e "Um Lugar ao Sol", atuais cartazes das 18h e 21h, respectivamente.

Apesar de estar fora do padrão que conhecemos, estas não foram as primeiras.


Em 1989, a Globo estreou "Pacto de Sangue", que só estreou após a conclusão de sua gravação. Foram 119 capítulos. A experiência foi exaltada pelo diretor Herval Rossano ("Acho muito mais fácil, pois você planeja melhor as cenas e tem uma margem de erro menor") e vista com preocupação pela autora, Regina Braga ("Um voo cego, onde você junta a imaginação e muita intuição para escrever a trama"), afinal a exibição de tramas desta forma impede que o autor ajuste a trama após a percepção e reação do público.

"Pacto de Sangue" era ambientada em 1870 em Campos dos Goytacazes, norte do estado do Rio de Janeiro. Ali, o jovem Antônio (Marcelo Serrado) fica à beira da morte após ajudar um negro na fuga da fazenda de seu próprio pai. Como último pedido, Antônio pede para que seu pai, o juiz Queiroz (Carlos Vereza) cuide do pequeno Bento, filho de escravo, como se fosse seu próprio filho.

Queiroz atende ao desejo de Antônio.


Com o passar do tempo, a convivência faz Queiroz mudar seus pensamentos e desperta dentro dele sentimentos ainda mais puros. Em meio ao movimento abolicionista que começava à surgir, Queiroz se apaixona pela professora Aimée (Carla Camurati).


"Pacto de Sangue" teve direção de Herval Rossano e foi idealizada para marcar o centenário da Proclamação da República e o Centenário da Abolição da Escravatura (comemorado um ano antes). Por isso, o tema da escravidão.

A jornalista Sandra Annemberg, hoje apresentadora do "Globo Repórter", esteve presente no elenco como a doce Celeste.


Um fato curioso é que a novela teve assessoria de Fernando Portuga, que era pai de santo e estudioso das questões afro-brasileiras, para os assuntos ligados à cultura negra. Como havia um terreiro, a língua falada pelo negros ali era o iorubá.

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