Recusada pela Globo, 'Pantanal' estreou, na TV Manchete, e 'devastou' a audiência da emissora o Rio de Janeiro

Por Redação em 07/11/2021 às 16:30:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

Depois que a Globo tomou o trono de "Rainha da Teledramaturgia", poucas vezes foi ameaçada por telenovelas de outras emissoras. E aqui não estamos falando de minutos ou lideranças pontuais. E nem apenas de audiência. Nos refirimos ao "conjunto" da obra = audiência + conteúdo.

A TV Manchete foi uma das poucas que conseguiu, por diversas vezes, incomodar a Vênus Platinada no território dominado por ela: a teledramaturgia.

Foi assim com "Dona Beija" (1986) e "Kananga do Japão" (1989) que fizeram sucesso de público e de crítica, além de ter uma produção bem trabalhada. Mal sabia a Globo que ambas só prepararam o terreno para o maior fenômeno da emissora: "Pantanal".

Depois de apresentar a sinopse da novela "Pantanal" para a Globo na metade dos anos 80 e ter levado um "não" da emissora, Benedito Ruy Barbosa encontrou na TV Manchete as portas abertas para contar sua história. E ali montou, ao lado do diretor Jayme Monjardim, aos trancos e barrancos, um grande elenco, inclusive fazendo a emissora "matar" alguns personagens de "Kananga" (novela que estava em cartaz) para que eles pudessem gravar a nova história (foi o caso de Cristiana Oliveira e Claudio Marzo).


"Pantanal" estreou dia 27 de março de 1990, uma terça-feira. A Globo esticou o capítulo de "Tieta" e estreou no mesmo dia a série "Delegacia de Mulheres" para tentar "barrar" a comentada "nova novela da Manchete". E conseguiu. Na estreia, no Rio de Janeiro, "Delegacia" cravou média de 42 pontos (53 em SP) e "Pantanal" marcou 13 pontos (07 em SP). Mas o cenário mudou muito rapidamente.

Como o tema ecológico estava em 'voga', logo no início a novela impressionou pelas lindas paisagens.


Em menos de quinze dias a novela passaria a causar pesadelos e estragos na grade da Globo e devastaria a vice-liderança do SBT. No sábado, dia 07 de abril, a novela bateria pela primeira vez a Globo no Ibope, por pouca diferença. Na ocasião a Globo exibia o filme "Perigosamente Juntos". Mais alguns dias e a história de Juma (Cristiana Oliveira) viraria por completo o jogo: dia 10 de abril, terça, atingiria picos de 29 pontos contra 16 da Globo.

A partir dai a Globo começou a usar as armas que tinha. Segurava intervalos comerciais, esticava capítulos de suas novelas. Mas qualquer movimento seria inevitável. A novela da Manchete venceu "TV Pirata", filmes "arrasta-quarteirões" que a Globo programou no "Supercine" e "Tela Quente", "Chico Anysio Show". O fim da novela "Tieta", em maio, iria ascender de vez o sinal vermelho na Globo.


Em maio daquele ano "Pantanal" enfrentou pela primeira vez a novela das oito da Globo, "Rainha da Sucata", que teve seu início "atrasado" para tentar barrar Juma e sua turma. E naquele dia 07 de maio, enquanto concorreram, ambas marcaram 31 pontos, mostrando uma clara divisão do público e o crescimento da novela da Manchete. Em maio, no Rio de Janeiro, a novela chegou a marcar 56 pontos contra 31 da Globo. Em São Paulo, as vitórias também aconteciam, porém foram mais modestas. A verdade é que "Rainha da Sucata" e "Pantanal" concorreram diretamente poucas vezes, e apenas de maneira parcial.

A Globo então preparou grandes estreias como "Riacho Doce" e "Araponga", mas não adiantava. O público da Manchete era fiel.

Em São Paulo, a novela seguiu com médias de 30 pontos. E a novela percorreu assim seu caminho de sucesso. A fase final, arrastada, perdeu um pouco do público. E só em dezembro daquele ano, a Globo pode respirar aliviada.

Agora, 31 anos depois a Globo já grava um remake da história.

É a grande chance de corrigir um erro do passado (quando negou a sinopse da trama) e a possibilidade de fazer uma versão memorável da trama. Uma bela homenagem à Benedito e à teledramaturgia brasileira.

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