Fracasso no Ibope, 'Olho no Olho' trouxe efeitos especiais incríveis que hoje são facilmente reproduzidos no TikTok

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 25/10/2021 às 19:56:50

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

O encurtamento de "O Mapa da Mina", devido a morte de Cassiano Gabus Mendes, fez a Globo acelerar a produção da novela "Olho no Olho", de Antônio Calmon para a faixa das 19h.

Vindo do sucesso de "Vamp", o autor estava em alta na Globo e, mais uma vez, mirava o público jovem com sua nova história. Repleta de efeitos especiais que, na época, faziam o "queixo cair da boca", "Olho no Olho" espantou o público. Com uma trama "pesada" que falava em demônios e na luta do bem contra o mal, a trama não agradou... nem mesmo o público mais novo.

A história começava em Roma, quando Armando (Stênio Garcia) revela em confissão ao padre Guido Bellini (Tony Ramos) que é procurado por uma organização criminosa liderada por um jovem com poderes paranormais. Algum tempo depois, Guido descobre que Armando morrera e, culpado por não ter tentado impedir o assassinato daquele homem, decide largar a batina e voltar para o Brasil.

Guido passa a se dedicar ao estudo da paranormalidade no intuito de combater a organização liderada por César Zapata (Reginaldo Faria) e seu filho Fred (Nico Puig), o jovem poderoso a quem Armando se referira. Para enfrentar os Zapata, Guido conta com a ajuda do também paranormal Alef (Felipe Folgosi), um jovem que ainda não tem pleno domínio de seus poderes.

A Globo não economizou para produzir a novela.

A equipe gravou na Itália, em Roma, em Machu Picchu, no Peru, além nas cidades de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Parati. A emissora também enriqueceu a equipe de efeitos especiais com equipamentos de ponta. Cenas de explosões, cenários finalizados com realidade virtual, raios que saiam dos olhos dos personagens e olhos que brilhavam. Nada que aplicativos como TikTok e Instagram hoje em dia permitem qualquer um fazer de um simples celular. Mas, na época, sem a internet disponível ao grande varejo, era uma grande novidade. Já na abertura, estátuas ganhavam vida. Alguns destes efeitos, que duravam 15 segundos, levavam até 12 horas para serem produzidos.


Olhando para trás e revendo cenas da novela – que nunca foi reprisada – ela seria chamada de "trash". Mas abriu caminho para que a tecnologia fosse incorporada às narrativas de forma mais intensa.

"Olho no Olho" marcou ainda estreia de diversos atores em novelas como Nico Puig, Felipe Folgosi, Danielle Winits, Alessandra Negrini, Rodrigo Santoro, Patrícia de Sabrit e Lyla Collares.

Antônio Calmon chegou a revelar que é a novela de que menos gosta: "Porque existia a figura do demônio na história. Houve uma certa rejeição por parte do público. Além disso, minha vida particular ficou terrível na época. (…) Figura satânica, nunca mais!", disse.

A trama chegou a ser acusada de promover o 'satanismo'. Nos bastidores alguns fatos contribuíram para a má fama da atração: o ator Thales Pan Chacon (1956-1997) foi afastado às pressas ao ser acometido por uma forte pneumonia e, durante a exibição, o ator de Felipe Pinheiro (1960-1993) foi encontrado caído em seu quarto fulminado por uma parada cardiorrespiratória aos 33 anos.

Para tentar salvar a novela do Ibope e do vexame de registrar audiências menor que a novela das seis, a Globo promoveu mudanças. Maria Carmem Barbosa foi convocada para integrar a equipe de colaboradores e afastou outros dois (Vinícius Vianna e Tiago Santiago).

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