Com 'Malhação', Globo inovou com um 'novo jeito' de fazer novelas no Brasil e conquistou o público jovem

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 23/10/2021 às 19:06:10

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

Em 1995, ano em que completava 30 anos, a TV Globo decidiu inovar em sua grade de programação estreando "um novo jeito de fazer novelas".

A inspiração veio de fora do Brasil, onde as chamadas "soap-operas" faziam muito sucesso. Algumas estavam no ar por décadas e o conceito era este mesmo: começa uma história sem previsão "certa" de seu final. No caso por aqui, acabou ganhando temporadas de aproximadamente 1 ano. A "nova temporada", no início, "herdava" alguns personagens e apresentava outros, com uma nova história.

"Malhação" começou desta forma.

Um projeto encabeçado por Roberto Talma e que arrebatou o público jovem na metade dos anos 90. Registrou índices em torno de 30 pontos em pleno final de tarde.


A "primeira" "Malhação" foi ar de abril de 1995 à março de 1996 (incluindo a "temporada" de Verão", que levou os personagens à um acampamento). Foi escrita à 10 mãos por Andrea Maltarolli, Emanuel Jacobina, Márcia Prates, Patrícia Moretzsohn e Vinícius Vianna. O elenco, repleto de novatos "inaugurou" na Globo o programa laboratório. Até hoje, "Malhação" é considerada um "celeiro" de novos talentos que, após a novelinha, ganha os horários mais nobres da emissora em novas produções. Foi assim com Nathalia Dill, Agatha Moreira, Cauã Reymond, André Marques, Caio Castro, José Loreto, Fernanda Vasconcellos, Rafael Vitti e tantos outros.

Mas vamos voltar à primeira.

A história se passava em Malhação, uma movimentada academia carioca que serve de "segunda casa" para vários jovens. Ali, temos o cenário para o amor da bailarina Isabella (Juliana Martints), e Héricles (Danton Mello), um rapaz que vem do interior para trabalhar e estudar e que acaba morando na academia.


Diversos temas são abordados a partir daí, como preconceito social e racial, separação de casais, ciúmes dos filhos, intrigas, relacionamentos amorosos.

A estreia foi repleta de polêmicas. Uma cena exibida no primeiro capítulo, quando um professor (Claudio Heinrich) era flagrado transando com uma aluna no banheiro da academia deu o que falar. O personagem Mocotó, vivido por André Marques, é lembrado até hoje como uma das referências da novelinha.


Mocotó aliás foi quem comandou a primeira fase da temporada de 1998 que tinha parte exibida ao vivo. Isso mesmo! O cenário era o apartamento do personagem que, com colegas de elenco, recebia mensagens dos telespectadores pela internet e encenava pequenas cenas. O público rejeito a novidade e três meses deixou, a edição "ao vivo" foi cancelada.


Desde sua estreia até hoje foram ao ar nada menos do que 27 temporadas. A última produzida foi "Malhação – Toda Forma de Amar" e foi exibida entre 2019 e 2020. Por conta da pandemia, a Globo passou a reprisar temporadas anteriores e, em setembro deste ano, anunciou a intenção encerrar a faixa, o que deixou os fãs desolados.

Cumpriu seu papel!

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