Suspense de 'A Próxima Vítima' parou o Brasil e desvendou na Globo um esquema ilegal de venda de roteiros para revistas de fofocas

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 19/10/2021 às 18:59:00

O "Memória da TV" est√° prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que j√° come√ßou, é "de tr√°s para frente".

Regularmente, um texto novinho pra voc√™, com curiosidades e muita história.

Em 1995 Silvio de Abreu decidiu "causar" no hor√°rio nobre da Globo.

Além de trazer a história de um misterioso serial-killer, cuja identidade só seria revelada no √ļltimo cap√≠tulo, o autor fez o p√ļblico se perguntar quem seria a próxima v√≠tima do assassino... e claro: o por que? Qual a liga√ß√£o das mortes? Quem n√£o prendia a respira√ß√£o ao avistar o Opala preto, ve√≠culo do assassino, se aproximando de alguns personagens.


Durante o desenrolar da história, novos suspeitos despontavam a todo momento e a liga√ß√£o entre os personagens eram desmascaradas deixando o p√ļblico ligadinho à cada cap√≠tulo.

A cena final da revela√ß√£o do assassino, com a presen√ßa de poucos envolvidos, foi gravada às 19h do dia 4 de novembro de 1995, uma hora e meia antes da exibi√ß√£o. O suspense era geral. O "Jornal Nacional" daquela noite mostrava as ruas vazias das cidades. Ninguém queria perder o √ļltimo cap√≠tulo da novela.

O assassino era Adalberto (Cecil Thiré) e, todas as v√≠timas, tinham uma liga√ß√£o com um fato do passado: eram testemunhas de um crime cometido por ele no passado.


Para despistar a imprensa, numa época em que a Internet ainda n√£o estava popularizada, a Globo gravava diversas cenas que, sabidamente n√£o iriam ao ar. Ao proibir a divulga√ß√£o do resumo da trama, a Globo desmantelou um esquema de "venda de roteiros dos cap√≠tulos": alguns funcion√°rios da emissora do departamento de cópias, ganhavam dinheiro de sites e revistas de fofocas para entregar roteiros em "primeira m√£o".

Sílvio de Abreu usou a novela ainda para tocar em assuntos sensíveis:

- o romance gay interracial entre Sandrinho (André Gon√ßalves) e Jefferson (Lui Mendes). Apesar do casal ter conquistado grande parte do p√ļblico, André chegou a ser espancado nas ruas por conta do personagem;

- o amor pessoas com idades bem distintas, com os casais Cac√° (Yon√° Magalh√£es) e Adriano (Lugui Palhares) e Zé Bolacha (Lima Duarte) e Irene (Vivianne Pasmanter);

- inovou ao inserir uma fam√≠lia negra de classe média alta (com os personagens de Zezé Motta e Antônio Pitanga), algo incomum nas novelas.

Outros personagens fizeram muito sucesso como as matriarcas Filomena (Aracy Balabanian), Ana (Susana Vieira), a vil√£ Isabela (Claudia Ohana), que protagonizou uma cena que chocou o p√ļblico ao aparecer banhada de sangue após ser esfaqueada no rosto pelo amante, seu tio Marcelo (José Wilker).



A Globo chegou a reunir parte do elenco tr√™s meses após o final da novela para gravar um outro final, com outro assassino: Ulysses (Ot√°vio Augusto). A vers√£o seria exibida no mercado internacional, mas também foi transmitida por aqui na reprise do "Vale a Pena ver de Novo" no ano 2000.


Uma outra curiosidade foi a presen√ßa, como participa√ß√£o especial, da ent√£o modelo Renata Vascocellos, hoje titular do "Jornal Nacional". Ela ainda fez uma participa√ß√£o na abertura da novela "História de Amor" do mesmo ano.


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