Com edição cinematográfica, primeira fase de 'O Rei do Gado' foi uma novela à parte. 25 anos depois, sua audiência jamais foi superada!

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 16/10/2021 às 19:03:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

Em 1996, dois meses após a morte de dezenas de trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Pará, a novela "O Rei do Gado" de Benedito Ruy Barbosa estreou no horário nobre da Globo.

Além das tradicionais histórias de amor e ódio de casais apaixonados, a novela jogaria holofotes sobre um tem sensível naquele momento: a reforma agrária e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A abordagem, somada à história bem construída por Benedito Ruy Barbosa, transformaram a novela num estrondoso sucesso.

Com direção impecável de Luiz Fernando Carvalho, a primeira fase da história foi um capítulo à parte.

Se passa nos anos 1940, tendo como pano de fundo a decadência do ciclo do café e a inserção do Brasil na Segunda Guerra Mundial. É nesta época que as famílias Berdinazzi e Mezenga, através de seus patriarcas Giuseppe (Tarcísio Meira) e Antonio (Antonio Fagundes), entram num conflito mortal por um pedaço de terra.


Em meio as desavenças de família, o filho único de Antonio, Enrico (Leonardo Brício), se apaixona pela filha mais nova de Giuseppe, Giovanna (Letícia Spiller). Claro que o romance atenua ainda mais a ira de Berdinazzi. Enrico e Giovanna, então, fogem, para viver seu amor.


O casal de apaixonado tem um filho, Bruno, que enriquece com a criação de bois e se transforma no "Rei do Gado". Casado com Leia (Silvia Pfeifer) e com dois filhos, em uma visita à uma de suas fazendas para negociar a retomada de suas terras, que haviam sido invadidas, ele conhece Luana (Patrícia Pillar), uma boia-fria por quem se apaixona perdidamente.


O elenco contou com grandes interpretações e nomes como Bete Mendes, Jackson Antunes, Walderez Barros, Carlos Vereza e Stênio Garcia.

A trilha sonora da trama, encabeçada pelo hit "O Rei do Gado", entoado pela Orquestra da Terra fez um enorme sucesso e até hoje seus acordes remetem à abertura da novela, que trazia ao final Antônio Fagundes rodopiando em cima de um cavalo, se transformando em uma estátua de ouro. Até hoje é a novela com maior vendagem de trilha sonora. Seus CDs, LPs e K7s venderam mais de 2 milhões de cópias.

Foi a primeira novela na Globo de Marcello Antony, Caco Ciocler, Mariana Lima, Lavínia Vlasak e Emílio Orciollo Neto. Atualmente, nenhum deles são contratados da emissora.

Na última cena, de maneira poética, o autor passa uma importante mensagem através dos dizeres que surgiam sob milhares de pés de café, lavouras de soja, milho e cana de açúcar: "Deus, quando fez o mundo, não deu terra para ninguém, porque todos os que aqui nascem são seus filhos. Mas só merece a terra aquele que a faz produzir, para si e para os seus semelhantes. O melhor adubo da terra é o suor daqueles que trabalham nela."


"O Rei do Gado" teve média geral de 52 pontos no Ibope em seus 209 capítulos. Depois dela, nenhuma outra trama superou sua audiência até hoje. E olha que já se vão 25 anos de sua exibição original. A única trama que se aproximou deste 'feito' foi 'Senhora do Destino' que, em 2004, marcou média geral de 50 pontos.

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