Após início problemático, 'América' se tornou um fenômeno e é - até hoje - a novela com capítulo de maior audiência desde o início das medições do Ibope em tempo real

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 01/10/2021 às 17:09:00

O "Memória da TV" está prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que já começou, é "de trás para frente".

Regularmente, um texto novinho pra você, com curiosidades e muita história.

Exibida em 2005, a novela "América" foi do inferno ao céu em sete meses. Tinha a difícil missão de substituir "Senhora do Destino", um grande sucesso da faixa das 21h da Globo escrito por Aguinaldo Silva.

"América", escrita por Glória Perez, contava a história de Sol (Deborah Secco), uma carioca humilde que resolve "abandonar" seu grande amor, o peão Tião (Murilo Benício) e emigrar ilegalmente para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Após muito perrengue nas mãos dos "coyotes", ela consegue entrar no país e se envolve com Ed (Caco Ciocler). Dentre diversos problemas, passa ainda a ser alvo de Miss May (Camila Morgado).

Criticada duramente pela imprensa em seu início, a trama chegou a ter até mesmo sua abertura modificada um mês após sua estreia. Havia recebido o horário nobre da Globo com números superiores à 55 pontos no Ibope e, rapidamente, desmoronou para os 30 pontos. Uma catástrofe para a época.

Houve um desgaste gigantesco entre a autora e o diretor Jayme Monjardim. Segundo jornais da época, Glória chegou a dizer que "a novela que está indo ao ar não é a mesma que estava escrevendo". Como medida imediata, a emissora tirou Monjardim da direção e colocou Marcos Schechtman para comandar a produção, que passou a imprimir mais ritmo.


Aos poucos, as tramas criadas por Perez foram se entrelaçando e conquistando o público. Destacou-se as dificuldades dos deficientes visuais Jatobá (Marcos Frota) e Flor (Bruna Marquezine), o caso de amor entre a Viúva Neuta (Eliane Giardini) e o peão Dinho (Murilo Rosa) e a paixão gay de Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro). O casal aliás ganhou torcida e acabou tendo um final feliz. A Globo chegou a gravar uma cena de beijo entre os dois personagens, mas desistiu de exibir horas antes da exibição, no último capítulo. Seria o primeiro beijo entre homens da telenovela brasileira.


A autora Glória Perez afirmou à Folha de SP que a cena do beijo gay do último capítulo de "América" foi "cortada pela Globo" por decisão da "alta direção" do canal. "Eu fiz (escrevi) a cena, ela foi realizada e a casa cortou, considerou que não devia ir até o fim e deixou só aquele pedaço".

Seu último episódio é, até hoje, a maior audiência de um capítulo de telenovela desde o início da medição dos números em tempo real (iniciado em 1991): 68 pontos de média e 86% de share. Tá passada?

E não perca nossa "viagem" pelas novelas que entraram para a história da TV!

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