Com trama 'sem barriga' e principal segredo revelado na metade da história, 'A Favorita' sofreu com a Record, mas deu a volta por cima

Por Rodrigo Felicio ([email protected]) em 19/09/2021 às 18:02:00

O "Memória da TV" est√° prestando uma homenagem às telenovelas, que em dezembro deste ano comemoram 70 anos no Brasil. E nossa viagem, que j√° come√ßou, é "de tr√°s para frente".

Regularmente, um texto novinho pra voc√™, com curiosidades e muita história.

Depois do estrondoso sucesso das novelas "Da Cor do Pecado" e "Cobras & Lagartos" no horário das 19h, o autor João Emanuel Carneiro recebeu uma pomposa promoção na Globo: foi efetivado para o principal horário da emissora, o nobre.

E sua primeira obra na faixa das 21h foi a novela "A Favorita" em 2008.

A trama central era focada na rivalidade de Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Claudia Raia), antigas parceiras da dupla sertaneja "Faísca e Espoleta".


]Após cumprir uma pena de quase vinte anos de reclus√£o pelo assassinato de Marcelo Fontini (Flavio Tolezani), o marido de Donatela, Flora deixa a pris√£o disposta a provar a sua inoc√™ncia, acusando a ex-parceira de ter cometido o crime. Ao mesmo tempo, quer se reaproximar da filha Lara (Mariana Ximenes), criada pela rival, fruto de um relacionamento com Marcelo, de quem se tornara amante.

Lara é a √ļnica herdeira de um império de papel e celulose e passa a ser o centro da disputa entre as duas personagens.


Apesar do enredo bem constru√≠do e muito bem amarrado, a novela demorou um pouco pra "pegar". Isso porque, na época, a TV Record vivia um excelente momento em sua teledramaturgia e programou para o dia da estreia do folhetim global, o √ļltimo cap√≠tulo de "Os Mutantes – Caminhos do Cora√ß√£o". O resultado foi devastador. A trama da Record n√£o liderou a audi√™ncia, mas tirou grande parte do p√ļblico e dos "holofotes", fazendo "A Favorita" ter o t√≠tulo de pior estreia (em audi√™ncia) da história da Globo até ent√£o.

O quadro se reverteu com o tempo.

O p√ļblico, levado a ficar em d√ļvida de quem era a vil√£ da história, era surpreendido na noite do dia 5 de agosto, no cap√≠tulo n√ļmero 56, com a revela√ß√£o do grande segredo da história numa cena antológica: a vil√£ era realmente Flora. O cap√≠tulo beirou os 50 pontos de média no Ibope.


O que poderia ser um grande risco (revelar o segredo t√£o cedo) se tornou o grande trunfo do autor para os quase 140 cap√≠tulos restantes. Sem perder o ritmo, num emaranhado de novas situa√ß√Ķes e ganchos, ele conseguiu conduzir o p√ļblico e "salvar" a trama, que se transformou num grande sucesso. Jo√£o Emanuel, ganhou de vez respeito do p√ļblico e ganhou pr√™mios pela obra. Seu texto foi considerado "sem barriga" (aquela enrola√ß√£o que normalmente as novelas s√£o obrigadas a apresentar, quando nada acontece).

A novela marcou a estreia de Alexandre Nero, que viria a despontar anos depois como protagonista de outras tramas na Globo.

E n√£o perca nossa "viagem" pelas novelas que entraram para a história da TV!

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