Curiosidades e muita história! Saiba como foi a primeira década da TV no Brasil

Por Redação em 17/09/2021 às 19:01:00

A história da TV brasileira é linda!

Isso podemos garantir!

É repleta de momentos inesquecíveis, cenas memoráveis, lendas que jamais saberemos, infelizmente, se aconteceram ou não.

Para saber com detalhes a História da TV, viaje pelo especial que publicamos no ano passado, quando o veículo completou 70 anos CLICANDO AQUI!.

Mas se você esta meio preguiçoso, sem problemas! Segue o texto por aqui que iremos resumir alguns fatos bem bacanas!

O México 'furou o olho' do Brasil

Você sabia que que os mexicanos "furaram o olho" do Brasil? Bom, mais precisamente de Assis Chateaubriand, empresário responsável por trazer ao nosso país a Televisão.

Em 1950, Chateaubriand se apressou e lutou muito para tentar fazer do Brasil o primeiro país da América Latina a ter uma estação de TV. Comprou equipamentos, contratou artistas, foi chamado de "louco", buscou patrocínios (ufa!) mas não adiantou. Os mexicanos foram mais rápidos!

Como se fosse um "troco" por perderem a Copa do Mundo daquele ano para nosso país, eles inauguraram em 31 de agosto o Canal 4, XHTV, na Cidade do México. As primeiras transmissões já aconteceram no dia seguinte, dia 01 de setembro.

Já por aqui, apenas no dia 18, a TV Tupi começou a transmitir seu sinal em São Paulo.


Fatos que antecederam a estreia no Brasil

A história da televisão no Brasil começou, obviamente, muito antes do dia 18.

A chegada dos primeiros equipamentos, encomendados por Chateaubriand, foi um grande acontecimento. Importantíssimo, aliás, para que a "ficha" começasse a cair: "A TV iria acontecer no Brasil". Chegaram em fevereiro, mas só foram "liberados" em 25 de março de 1950. Pelo Porto de Santos passaram câmeras, luzes de estúdio e toda a parafernália necessária para a formação da emissora. Os equipamentos foram comprados da RCA (Radio Corporation of America). Um verdadeiro "comboio" de artistas de sucesso das rádios Diários Associadas, foram até lá para aqueles 'ingredientes' até São Paulo: Lolita Rodrigues, Yara Lins, Cassiano Gabus Mendes, Hebe Camargo e Lima Duarte foram alguns deles.

ONo dia 4 de julho de 1950, aproveitando a vinda ao Brasil do astro-frei-cantor (não necessariamente nesta ordem) José Mojica, um dos maiores nomes do cinema e do rádio, "televisionou" um show dele. Neste dia, Chatô mandou instalar um aparelho de televisão no hall de entrada do Edifício da Diários Associadas, deixando o público boquiaberto, se cotovelando para apreciar aquela maravilha: uma caixa que emitia sons e imagens!

Lá de dentro do saguão do MASP, onde o show acontecia, artistas também acompanhavam a transmissão em aparelhos distribuídos pelos corredores. O espetáculo foi dirigido por Cassiano Gabus Mendes e Dermeval Costa Lima e foi realizado "de surpresa".

Assis Chateaubriand no discurso de inauguração da TV

Quer saber como foi o primeiro programa da TV? Conheça o 'TV na Taba' clicando aqui!


A teledramaturgia nos anos 50

Você já leu aqui nas outras matérias especiais, que logo nos primeiros dias da TV, os atores e atrizes já eram convocados para encenar quadros e esquetes. Era preciso "preencher" a grade da emissora, até então apenas noturna. E "contar histórias" ia ao encontro do que grande parte do público esperava.

Esquetes e quadros a parte, o primeiro teleteatro foi exibido em 29 de novembro de 1950. Era uma história de suspense chamada "A Vida Por um Fio". Adaptação de uma peça estrangeria, contava o drama de uma mulher paralítica (Lia de Aguiar) que, certo dia, ao pegar o telefone, ouve uma conversa entre dois homens planejando o seu assassinato. E ainda por cima, um dos homens é seu marido. Não, não tinha como chamar o Chapolin Colorado! E o público não desgrudou da telinha até ela ser morta, estrangulada, com o fio do telefone.

Com o sucesso, as adaptações começaram a se fazer mais presentes na programação da TV Tupi. Algumas peças eram adaptadas para a TV e exibida, ao vivo, dos estúdios da emissora. Outras, a partir de 1951, por exemplo, eram exibidas de dentro de teatros, aproveitando o elenco e a produção.


A primeira telenovela brasileira

A produção é datada de dezembro de 1951.

Mal sabiam Walter Forster e Vida Alves que estavam dando início ao produto de maior sucesso da Televisão. "Sua Vida me Pertence" estreou sem muitas pretensões e era exibida duas vezes por semana. Ficou três meses no ar e foi nela, inclusive, que aconteceu o primeiro beijo na boca da televisão brasileira.

Cena da primeira telenovela brasileira

A partir dai, novelas, teleteatros e séries passaram a habitar a televisão de uma vez por todas.


TV Paulista, a segunda emissora brasileira

A estreia aconteceu em 14 de março de 1952.

Um fato curioso é que a emissora funcionava de dentro de um apartamento no bairro da consolação de São Paulo. A parede de um dos quartos, recebia a projeção de filmes, era "focalizada" por uma câmera, que exibia as imagens aos telespectadores. A sala servia de redação para os telejornais e para a criação dos roteiros dos programas. Tudo feito na raça! E com amor.

Para a grande estreia, o "faz tudo" Manoel Carlos adaptou o romance "Helena" a transformando em telenovela. Seria a primeira de sua carreira. O nome feminino seria uma de duas marcas ao escrever novelas na Globo, décadas depois. Todas suas protagonistas, tinham o nome.

Cena da novela 'Helena' de 1952

A emissora ainda cravou seu nome na história com atrações que fizeram grande sucesso como "O Circo do Arrelia", que chegava a liderar a audiência aos domingos, o "Teledrama" e "Teatro Cacilda Becker" que não deixavam nada à desejar aos teleteatros da Tupi.

Três anos depois daquele início "sofrido", a emissora passou a ser comandada por Victor Costa, um grande empresário da cidade. Com mais investimento, mudou de endereço e ganhou estúdios maiores.

A TV Paulista foi palco de grandes acontecimentos, como a estreia de Hebe Camargo como apresentadora de televisão. Figurinha conhecida do público nas rádios e nas apresentações da TV, Hebe começou comandando o programa "O Mundo é das Mulheres" em 1955. Ainda na Paulista teve diversos programas como "Hebe Comanda o Espetáculo" e "Maiôs à Beira Mar" (que era gravado num espaço com uma piscina).

Hebe Camargo recebendo a coroa de Rainha da TV em 1960

O canal 5 também foi a casa de estreia de Silvio Santos. Muito antes de estrear um programa com seu nome (em 1963), ele comandou, sem tanto sucesso, "A Voz da Firestone" em 1956 e "Vamos Brincar de Forca?" em 1960. Silvio trabalhava na frente e atrás das câmeras.

A chegada de Dermeval Costa Lima, tirado da Tupi, iniciou uma grande concorrência entre as emissoras. Em 1957 estreava "A Praça da Alegria", com Manoel da Nóbrega, que se tornaria um dos maiores sucessos da TV, no ar até hoje com o nome de "A Praça é Nossa", comandado pelo filho de seu criado, Carlos Alberto de Nóbrega, no SBT.

Com a morte de Victor Costa em 1960, grande pilar financeiro do Grupo, a Paulista começa a emitir os primeiros sinais de que não conseguiria resistir por muito tempo.

A emissora foi vendida para Roberto Marinho ainda no final de 1964. Mas continuou com seu nome e deixou de existir em 23 de março de 1966, quando passou a transmitir oficialmente o sinal da TV Globo, que já havia estreado há quase um ano no Rio de Janeiro. No entanto, antes desta data, diversos programas da Globo já eram exibidos em São Paulo pela Paulista.


TV Rio e TV Continental

Além da Tupi, Paulista e Record, outras estações que surgiram nesta década foram muito importantes para ajudar a consolidação e até revolucionar o veículo.

Depois que a TV Tupi chegou no Rio de Janeiro, o entusiasmo tomou conta dos cariocas. Não demorou muito para que um novo canal surgisse. Afinal, só em São Paulo já haviam 3. Paulo Machado de Carvalho, que já tinha a Record conseguiu, juntamente com João Batista do Amaral a concessão para operar também no Rio. Seria o canal 13. No entanto, quando a emissora entrou no ar, em 17 de julho de 1955, com o nome de TV Rio, apenas João Batista era dono. Participaram da inauguração artistas como Murilo Neri, Anilza Leoni, Sargentelli, e Léo Batista.

Instalada em Copacabana, na altura do Posto 6, a "tv carioquinha", como ficou conhecida, logo chegou à liderança de audiência com programas como "TV Rio Ring", que trazia as famosas lutas de boxe com homens fantasiados de super-heróis.

Um ponto muito importante foi a chegada do jovem Walter Clark, vindo de agencias de publicidade e que, em poucos anos, iria revolucionar a televisão brasileira com suas ideias. Lá na frente, seria ainda responsável pelo início da TV Globo.

Walter Clark foi um dos grandes nomes da TV

A TV Rio continuou sua jornada de sucesso no início dos anos 60 mas passou a levar duros golpes das concorrentes.

A TV Excelsior, por exemplo, arrematou, quase que de uma só vez, boa parte de seu elenco principal em 1963. Com a concorrência com a Globo, que surgiu em 1965, passou a enfrentar sérios problemas. Sua direção ficou sob responsabilidade de diversos donos a partir de então. Com dívidas crescentes, a TV Rio teve aparelhos confiscados e sua concessão cassada na primeira semana de abril de 1977. Saiu do ar após a exibição do "Programa Henrique Lauffer" na noite do dia 11 de abril daquele ano colocando ponto final numa trajetória linda e que rendeu momentos memoráveis.

A Continental foi a terceira emissora em solo carioca.

Um sonho realizado de três irmãos: o deputado Rubens Berardo, Carlos Berardo e Murilo. Para dar um direcionamento para emissora, o grupo trouxe para o Rio o renomado diretor Dermeval Costa Lima, que tinha sido um dos grandes nomes da Tupi e estava atuando na TV Paulista.

Inaugurada oficialmente em 30 de junho de 1959, o Canal 9 fez uma pré-estreia um mês antes exibindo e gerando do Maracanã as imagens de um jogo entre Brasil e Inglaterra. Jogaço, aliás que rendeu vitória aos brasileiros.

A programação da emissora começou a ser transmitida em 01 de julho de 1959 e foi, na verdade, um grande show batizado de "Um Amigo em Cada Rua", dirigido por Haroldo Costa e que durou a semana toda. A cada dia, uma atração diferente: teleteatro, musicais, ,humor e esporte. Aliás, algo que a emissora passou a dar 'foco' na época de 'vacas magras'.

Um dos nomes que se consagrou na TV Continental é de Jô Soares, que nas décadas seguintes viria a despontar como um dos grandes medalhões do humor nacional. Ele já havia estreado um ano antes na telinha em quadros da TV Rio.

Aliás, a emissora não estava para brincadeira. Tinha em seu elenco nomes como Agnaldo Rayol, Edna Savaget, Nicete Bruno, Elizeth Cardoso, Ivon Curi, Joana Fomm e Cauby Peixoto. Numa parceria com a TV Paulista, trouxe Hebe Camargo para a TV carioca com o programa "Hebe Comando o Espetáculo". Um luxo só!

A TV Continental foi a primeira emissora a transmitir flashes do carnaval do Rio de Janeiro, em 1960. Ainda no "roll" de grandes feitos, foi responsável pelo primeiro vídeo-tape, ainda em 1959. Pela primeira vez, a gravou-se algo (uma festa no Copacabana Palace) que foi exibido depois. Isso, minha gente, iria revolucionar a Televisão.

Após o golpe de 64, a emissora começou a perder fôlego. Aos poucos a concorrência acirrada diminuiu a quantidade de anunciantes. Guerreira, ainda manteve uma programação de 2 horas por dia, no início dos anos 70. Encerrou suas atividades em fevereiro de 1972.

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