Luciano Callegari comenta as novas apostas do SBT nas novelas

Por Redação em 16/10/2020 às 19:23:00

Veículo: O Estado de S. Paulo
Data da Publicação: 05/05/1996
Autor: Júlio Gama
Título: Callegari diz que emissora está, pronta para tocar projetos se parcerias fracassarem


O SBT vai gastar R$ 30 milhões para colocar suas três novelas no ar, a partir de amanhã, e inaugurar o que está chamando de "nova fase". Isso não significa disputar de igual para igual com a Globo nessa área. Não ainda.

Três das novelas da Globo, das seis, sete e oito, mantêm médias de 35, 45 e 50 pontos, respectivamente. O SBT tem objetivos aparentemente modestos. Os números são do superintendente artístico-operacional do SBT, Luciano Callegari. Colégio Brasil, às 18h30, deve dar entre 12 e 15 pontos; Antônio Alves, Taxista, às 20 horas, entre 15 e 20 e Razão de Viver, às 21, entre 10 e 12 pontos. Callegari espera audiência menor na última novela, porque ela vai concorrer com a das oito da Globo.

"Queremos é mais um pedaço dessa audiência", explica Callegari. E assim caminha o SBT, comendo pelas beiradas. "Não vamos disputar o primeiro lugar", diz. "Ninguém é louco de afirmar isso".

Em 1994, quando reinaugurou seu núcleo de dramaturgia, Éramos Seis dava entre 10 e 12 pontos no Ibope. Pouco, mas era o esperado. Agora, a aposta é que a tripla estréia também corresponda às expectativas. "Há um ano e meio queremos colocar três novelas no ar e este é o momento", diz Callegari.

"Porque o grande faturamento de uma emissora vem das novelas." Novelas custam caro. A produtora do diretor Roberto Talma, a Fábrica de TV, vai receber R$ 40 mil para produzir cada um dos 90 capítulos de Colégio Brasil. Os argentinos da Ronda Studios cobram R$ 55 mil pelo mesmo trabalho em Antônio Alves, Taxista, também de 90 capítulos. Para produzir cada um dos 180 capítulos de sua própria novela, Razão de Viver, o SBT desembolsa R$ 60 mil. Somados os custos das novelas aos R$ 10 milhões destinados à compra de equipamentos e novas contratações, o SBT terá gasto R$ 30 milhões em 96.

Callegari assegura que o SBT manterá os três horários de novela. Para isso. construiu o Projeto Anhanguera, sua cidade cenográfica. Consumiu US$ 53 milhões e está com obras In 80% das obras concluídas. Em três meses deve estar pronto ao custo de US$ 60 milhões. Hoje, tem capacidade para produzir duas novelas e, concluído, três. Isso também é programado.

Se as duas novelas das produtoras independentes não derem certo, o SBT vai assumir, sozinho, a produção das próximas três. "Parcerias são bem-vindas quando o resultado é interessante para os dois lados", diz Callegari. "Estamos fazendo um teste." Novelas de boa qualidade e boa audiência é o que o SBT espera de Talma e dos argentinos. Só boa audiência não basta Os dramalhões mexicanos registravam até 18 pontos , mas vá convencer anunciante a associar seu produto a lixos como Eu Não Acredito Nos Homens.

Taxista - Antônio Alves, Taxista é a tentativa pioneira de inaugurar a co-produção de novelas no Mercosul. O SBT recebe da Ronda Studios os capítulos prontos para exibição. Todos os 24 atores são brasileiros, mas gravam 80% das cenas de estúdio em Buenos Aires. As externas são em São Paulo e algumas em Florianópolis.

A novela, escrita pelo argentino Alberto Migré, foi exibida há 22 anos por lá. Sucesso. Não há taxista em Buenos Aires que não tenha assistido ou ao menos ouvido os pais contarem a história de Antônio. Interpretado por Fábio Jr. na nova versão, rapaz pobre e honesto de Florianópolis vê sua vida mudar quando devolve uma mala cheia de dinheiro ao passageiro que a havia esquecido em seu táxi. O passageiro é rico, dono de uma frota de táxis em São Paulo e faz a oferta: Antônio se muda para São Paulo, trabalha duro e, em seis meses, tem seu próprio táxi.

A segunda estrela da novela seria Sônia Braga. Foi demitida por reclamar da baixa qualidade do texto. Ela jura que todo o elenco achou o texto um horror, mas que preferiu se calar. Os argentinos prometeram arrumar o portunhol. Se o fizeram, saberemos a partir de amanhã, às 20 horas.

FARRA DE ESCOLA E DRAMA DE VIÚVA COMPLETAM NOVA FASE - 'Colégio Brasil' promete roubar público de 'Malhação' e Irene Ravache volta no papel de mãe sofredora para enfrentar a eterna vilã Joana Fomm no remake ''Razão de viver''

No lance decisivo que o SBT lança amanhã, a única produção própria, Razão de Viver, das 20h30, é um remake de Meus Filhos, Minha Vida. A novela já foi exibida pelo SBT em 1985. Na mesma linha de Antônio Alves, Taxista, é um dramalhão com diferenças bem definidas entre personagens bons maus. O texto de Ismael Fernandes, que morreu recentemente, está sendo adaptado por Analy A. Pinto e Zeno Wilde. Nilson Travesso é o diretor.

A viúva Luzia (Irene Ravache) a mãe, protetora de três filhos que ainda arruma tempo para trabalhar na confecção de Iara (Joana Fomm). A empresária é a vilã. sente ciúmes de Luzia desde a infância, quando Álvaro, o primo por quem era apaixonada, interessou-se por ela.

Os primeiros capítulos serão marcados pelo retorno de Álvaro , o primo (Eduardo Conde) dos EUA, onde habituou-se a viver de pequenos golpes. Ele se associa a Iara e, juntos, vão tornar um inferno a vida da pobre Luzia. E também a de Zilda (Adriana Esteves), estilista que trabalha feito louca para, no fim, Iara assinar as coleções.

Mas o sofrimento de Luzia promete muito mais lágrimas. Em casa, ela vê o filho mais velho, André (Marco Ricca) transformar-se num advogado egoísta e disposto a tudo para subir na vida. Guiado pela ambição, ele deixa a namorada Zilda para casar-se com Olga (Mayara Magri); filha de Iara - de quem se torna cúmplice.

Penitenciária - Dos três filhos, o único que se salva é o trabalhador Pedro (Petrônio Gontijo), que disputa com o irmão - em silêncio- o amor de Zilda. O caçula Mário (Gabriel Braga Nunes) é simpático, mas cheio de problemas: envolve-se com os marginais Ruffo (Raul Gazzola) e Miro (Cássio Scapin) e vai parar na penitenciária. A compensação da prisão: Luzia conhece o delegado Renato (Fúlvio Stefanini), com quem vive um caso de amor.

Outro núcleo da novela está na casa de Jandira (Lolita Rodrigues), a vizinha de Luzia. Abandonada pelo marido, ela resolve alugar os quartos de sua casa, onde vão morar a motoqueira Júnia (Cláudia Liz) e a romântica Bruna (Ana Paula Arósio) - que prefere abandonar o apartamento da irmã, a garota de programas Sílvia (Vera Zimmermann) e acaba se envolvendo com Ruffo.

Colégio Brasil -A primeira das estréias de amanhã, Colégio Brasil foi a última ser definida pela direção da emissora. Em março, muita gente se surpreendeu com o anúncio da novela que vem sendo feita, a toque de caixa, pela Fábrica de TV. O dono da produtora independente, Roberto Talma, é também autor e diretor da história das 18h30.

A trama pode surpreender. Por se passar dentro de um colégio, envolve pessoas de todas as idades - o que, na teoria, pode ajudar a conquistar uma fatia significativa do público. Édmo (Edwin Luisi) é o austero diretor da instituição. No melhor estilo Sociedade dos Poetas Mortos, ele vê seu colégio conservador ser sacudido pela chegada de Lanceloti - professor de literatura vivido por Giuseppe Oristânio - e Miss Daisy (Ítala Nandi), a nova professora de inglês.

A inspetora Nair (Maria Padilha) é uma das funcionárias que se revoltam contra os novos colegas. Entre outros motivos, porque no passado teve um caso mal-resolvido com o mesmo Lanceio-. ti. Mesquinha, Nair também faz de tudo para prejudicar Manoel Boi (Taumaturgo Ferreira), um esforçado menino de rua que foi criado dentro da escola.

Os professores vão se envolver em romances ao mesmo tempo que tentam resolver as confusões dos alunos. O charme da história fica por conta de Patrícia de Sabrit, que será a professorinha Helena, ou melhor, Júlia.

Os alunos são loucos por Júlia e até os funcionários da escola a chamam de tia. A meiguice pessoa namora o professor de Educação Física Mac (o ex-dominó Afonso Nigro) que disputa com Lanceloti a popularidade entre os alunos. E a atenção de Júlia.

Entre os estudantes, há desde pequeninos engraçadinhos até adolescentes. Alguns problemáticos como Plínio (Benito Carmona), que vive filando a merenda dos colegas e outras charmosas e cobiçadas até pelos professores, como é o caso de Luiza (Andréia Dietrich).

A princípio vista com pouco caso, a produção começa .a apontar para boas perspectivas. Talma sabe dirigir, o cenário oferece múltiplas possibilidades, há alguns bons atores. Além do mais, não está difícil para uma novela juvenil ser melhor do que Malhação.