Ronald Golias estreia no SBT

Por Redação em 01/05/2022 às 09:00:32

Veículo: O Dia
Data da Publicação: 17/06/1990
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Título: Ronald Golias estreia na TVS





O Euclides lá pode falar para a mãe que o humorista Ronald Golias estréia no SBT no próximo dia 28, sentando no banco de A Praça é Nossa, com o lendário personagem Pacífico. Com contrato assinado com o SBT por um ano, a convite de Sílvio Santos e do diretor artístico da emissora Carlos Alberto de Nóbrega, Golias vai participar também de programas especiais de humor com Hebe Camargo e do inédito Condomínio Brasil, feito para substituir o Veja o Gordo.

Depois de deixar a Rede Bandeirantes de Televisão - que encerrou sua linha shows em conseqüência do Plano Collor - onde durante três anos e meio fez o Bronco Total, Golias pretendia descansar de uma carreira de 30 anos, que já lhe tomou metade da vida. A única exigência ao SBT, portanto, é de que trabalhe apenas três vezes por semana, para dedicar o resto do tempo às duas fazendas no interior paulista e a shows em convenções de empresas. Na TV, pretende reviver a Escolinha do Golias e especiais como uma sátira de Romeu e Julieta.

Em entrevista coletiva na sede do SBT - em Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo - Carlos Alberto de Nóbrega explicou que o contrato com Golias é a realização do velho sonho de trabalhar novamente com um antigo companheiro de rádio e TV. "O Carlos Alberto me convidava toda a semana para vir para o SBT", lembra Golias, que acabou aceitando o convite três meses depois de sair da Bandeirantes. O convite definitivo, que falou ao coração de Golias, foi feito por Carlos Alberto no dia 3 de maio, no programa de 3º aniversário de A Praça é Nossa.

Carlos Alberto de Nóbrega admite que a chegada de Golias vai funcionar como um reforço para a equipe de humoristas do SBT - formada por, entre outros, Paulo Silvino, Eliezer Motta e Carlos Leite. Com Golias, inclusive, o Condomínio Brasil promete finalmente estrear.

UM VENDEDOR DE SEGUROS QUE DEU CERTO COMO HUMORISTA

Ronald Golias (seu nome de batismo) já foi vendedor de seguros, ajudante de alfaiate e bancário. Mas foi sua atividade como atleta do Clube Tietê - em São Paulo - que acabou levando-o à carreira de humorista. Ele fazia saltos ornamentais de trampolim, na década de 50, quando foi chamado pelo norte-americano Robert Knapp para estrelar um show de Acqualoucos. Golias era o único a soltar e nadar, fazendo caretas e as palhaçadas que até hoje gosta de fazer.

Do show aquático para um programa de calouros na Rádio Cultura de São Paulo, foi realmente um pulo. Em pouco tempo, o rádio e a TV tinham um humorista de cara cheia, com muita expressão e um jeito especial de fazer os outros rirem. Para Golias, 60 anos, divorciado, uma filha, Paula - estudante de Direito, de 23 anos - humor é como sorvete. "Pode mudar o sabor, o tipo, mas é sempre gelado, não tem jeito."

Com personagens lendários como o Bronco, Bartolomeu Guimarães, D.

Isolda e D. Curro - o pirata português - ao longo de quase 30 anos de carreira no rádio e na tevê, Golias considera boa a nova sofra de humoristas, dos jornais e revistas à tevê, mas ressalva que vai sobreviver sempre o humor que simplesmente faz rir, sem maiores pretensões. "O humor brasileiro é muito bom porque o povo é criativo e brinca com tudo", completa o humorista que se considera preocupado em "continuar agradando às famílias''.

- Meu humor se baseia nas brincadeiras informais do dia-a-dia, que, todo mundo faz. Como Bronco, na Bandeirantes, acho que atingi os crianças e a juventude. A rapaziada pedia silêncio: "Espera aí, ô meu, esse cara fez rir minha mãe e minha avó - conta Golias, em raro momento de demonstração de seu orgulho como profissional que leva muito a sério fazer as pessoas morrerem de rir.

Depois de passar por quase todas as emissoras de tevê, Golias confessa que atendeu ''muito mais o lado emocional" ao aceitar o convite do SBT, onde se recusa apenas fazer um programa exclusivo. "É muita responsabilidade", diz o humorista, em tom sério, como se não fosse ele próprio uma parte viva da história do rádio e da tevê brasileira.