'A Deusa Vencida' - Capítulo 42: 'Deusa, de amor e de ternura'

Por Redação em 22/03/2022 às 13:31:20

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Embora só estivesse sendo esperado para o dia seguinte, Maciel (Altair Lima) apareceu inesperadamente logo depois do jantar, acompanhado de Edmundo (Tarcísio Meira), Amarante (Ivan Mesquita) e Laércio (Hugo Santana). Maciel deu a boa notícia a Fernando (Edson França), ao cumprimenta-lo: conseguira vender o café para a firma inglesa. Edmundo abraçou Malu (Regina Duarte), cumprimentou Cecília (Glória Menezes), Vina (Raquel Martins) e Sofia (Maria Aparecida Alves). Afastou-se com a prima e conversava com ela, sob o olhar de reprovação de Amarante. Enquanto Vina, Sofia e Candinha (Lourdinha Felix) preparavam o jantar e os quartos, Cecília contava a Maciel as novidades. Maciel se abalou muito ao saber que Hortênsia (Karin Rodrigues) estava viva – o primeiro pensamento que lhe ocorreu foi o que teria pensado Sofia a respeito.

Malu notava que Edmundo não tirava os olhos de Cecília e Fernando, que conversava com Laércio e Barreto, também percebia a mesma coisa, surpreendendo-se com o fato de não a ter visto corresponder aos olhares de Edmundo nem uma vez sequer: era como se nunca se tivessem conhecido.

Observando Maciel, Barreto soube que ele já estava ciente de que Hortênsia ainda vivia. Num momento em que Cecília se ausentou por uns instantes, Barreto foi até Maciel e lhe cochichou no ouvido:

"Julguei mais conveniente não contar ao senhor Fernando o que sabia sobre Hortênsia...não adiantaria nada!..."

Maciel concordou com um aceno de cabeça.

Edmundo aguardava uma ocasião para conversar com Fernando. Vinha disposto a descobrir o autor das cartas que tanta desavença já tinham causado. Edmundo pretendia confrontar todas as cartas e fazer as investigações que julgasse necessárias: precisava da autorização de Fernando para agir.

"Senhor Fernando, agradeço-lhe ter permitido que eu viesse com meu pai para a sua fazenda. Sinto dar-lhe este incômodo, mas me pareceu a maneira mais prática de resolver o problema das cartas..."

"Não há o que agradecer", respondeu Fernando. "Eu também gostaria de ver desmascarado o autor dessas cartas, mas eu lhe peço que abrevie as suas buscas para que possamos esquecer este caso o mais breve possível."

Maciel chegou perto para ouvir a conversa.

"Eu lhes prometo", disse Edmundo olhando para Fernando e Maciel, "... Eu lhes prometo que até ao fim do mês eu terei o nome da pessoa que escreveu todas aquelas infâmias!"

"Até ao fim do mês", repetiu Maciel, pensativo.

Fernando concordou.

"E outra coisa mais...", continuou Edmundo, "...meu pai..." - procurou o pai, que observava os talheres que Sofia distribuía na mesa – "... meu pai está adoentado. Tentei interna-lo numa casa de saúde, mas ele fugiu. Está com os nervos abalados e obsessionado com um roubo de que diz que vai ser vítima. Talvez ele nos dê trabalho e desde já eu peço a sua compreensão."

"Não se preocupe: avisarei ao pessoal da fazenda que cuide dele."

Após o jantar, Laércio, a pedido de Malu, buscou o violão de Jacinto e cantou várias canções. A um momento, Candinha, sob pretexto de lhe levar um copo de água, pediu-lhe baixinho para cantar a música que Fernando compusera e que ele já cantara uma vez. Laércio achou boa ideia e começou, inesperadamente:

"Deusa, de amor e de ternura..."

O primeiro verso fez Fernando olhar instintivamente para Cecília: ela também estava olhando para ele um olhar terno e doce.

Malu, ao lado de Edmundo, lhe cochichou:

"Cecília já gosta de Fernando... veja como ela olha para ele!"

Desnecessária a observação de Malu: Edmundo já tinha os olhos em Cecília.

Já se fazia tarde e todos se preparavam para dormir.

Sofia chegou até Maciel e lhe disse:

"Preciso falar com o senhor ainda hoje."

Esperaram que a sala esvaziasse e saíram para a varanda. Sofia entrou direto no assunto:

"Já sabemos todos que Hortênsia está viva. Acho que o fato altera a nossa situação, por isso julguei melhor livrá-lo do compromisso que assumiu comigo.. . a partir de hoje passo a considerar nosso noivado como terminado. Já avisei tia Vina de minha decisão e amanhã falarei com Fernando e Cecília...

Maciel foi colhido de surpresa.. Esperava que Sofia se manifestasse, mas não daquela maneira. Ao mesmo tempo compreendeu a reação da moça: a presença na fazenda de sua ex-amante era realmente um fato desconcertante.

"Dona Sofia...", respondeu Maciel, "... Respeito sua decisão, mas tenho razões para estar certo de que não há motivos de nenhuma ordem moral ou legal que possam prejudicar o nosso noivado..."

"Minha decisão...", atalhou Sofia, "...É definitiva. Boa noite."

Sofia subiu para seu quarto, deixando Maciel amargurado. Foi comentar com Barreto.

"Se realmente o doutor Edmundo descobrir tudo...", respondeu Barreto, "...O senhor não tem com que se preocupar: dona Sofia aceitará recomeçar o noivado..."

No dia seguinte logo de manhã Edmundo foi à vila: pretendia começar na agência do Correio a sua investigação. Maciel, conforme tinha combinado na véspera com Cecília, saiu com a filha, Narcisa e Malu, para ver Hortênsia. Atravessaram o rio, subiram a colina e, como da primeira vez, lá estava Hortênsia dançando lentamente no jardim da casa, lá em baixo.

"É mesmo Hortênsia", disse Maciel, profundamente emocionado.

Malu tentou conversar e chegou perto da moça, que parou de dançar, olhando estranhamente.

"Hortênsia", disse Malu, "... Eu sou sua amiga... meu nome é Malu. Você está me entendendo?" - Hortênsia continuava a olhar, sem reagir. "Eu sou sua amiga... quero conversar com você..."

Não adiantava: Hortênsia não respondia. Cecília entrou na casa: tudo estava no seu lugar pratos e talheres limpos, a cama feita. "Alguém deve vir arrumar a casa diariamente", pensou, "mas quem poderia ser?"

Voltaram para a fazenda e encontraram Fernando preocupado.

"Senhor Maciel, peço-lhe que não mais procure Hortênsia. Quero que ela viva em paz, sem a interferência de estranhos. Ela está feliz da maneira como tem vivido

até agora..." – Fernando se dirigiu a Cecília, Malu e Barreto – "... E este meu pedido é extensivo a todas as pessoas da fazenda. Portanto, se houver necessidade de ir até à casa de Hortênsia, eu gostaria de ser consultado e ir junto.. ela confia em mim..."

"Mas, ela o reconhece, senhor Fernando?", perguntou Maciel.

"Não, ela não sabe quem eu sou. Apenas me vê como uma pessoa que lhe faz bem... é como um animal que se afeiçoa a nós... eu tratei dela, enquanto esteve internada na casa de saúde, levei-lhe roupas, frutas... é assim que ela me considera: uma pessoa amiga."

"E alguém vai cuidar dela e da casa?", quis saber Cecília.

"Ia", respondeu Fernando, "... Era a esposa de um colono que mora lá perto... ela ia diariamente fazer comida e arrumar a casa, mas há pouco tempo atrás Hortênsia aprendeu novamente a fazer todo o trabalho e hoje cuida de tudo sozinha. Jacinto lhe leva roupas e mantimentos e todos os dias passa por lá para ver se está bem."

"Estranho que uma louca cuide tão bem de uma casa", pensava Cecília – uma

ideia que Cecília tivera quando soube da existência de Hortênsia começou a se robustecer: que Hortênsia fosse a autora das cartas anônimas. Decidiu descobrir por si mesma, antes de comentar com alguém. Apesar da proibição de Fernando, Cecília estava disposta a ver Hortênsia novamente.

Após o almoço, saiu de casa sem que ninguém percebesse, atravessou o rio numa canoa que Barreto usava para pescar e minutos depois estava frente a frente com Hortênsia, sentada na cadeira de balanço. Examinou-a longamente e pensou ter divisado um ligeiro sorriso de escárneo nos lábios de Hortênsia. Pôs em prática o plano que tinha traçado:

"Hortênsia...", disse Cecília bem no rosto da moça, "... Eu não acredito que você está louca! Você está tão lúcida quanto eu e hei de provar isto! Você está se vingando de Fernando ou de meu pai, Lineu Maciel. .. ainda não estou bem certa. Você está prejudicando muitas pessoas que nunca lhe fizeram mal! De tanto fingir você vai acabar ficando louca mesmo! Sabe por que acho que você não está louca? Porque uma pessoa realmente louca não cuida de uma casa como você faz!.. . Não adianta fingir comigo ainda vou mostrar para todos que você está sã,

Hortênsia e hei de fazer você ir embora daqui!... Eu sei que foi você que escreveu aquelas cartas anônimas..." – Cecília percebeu um ligeiro sobressalto da parte de Hortênsia – "... Está vendo? Você não me engana! Toquei no seu ponto fraco, não foi? Você escreveu aquelas cartas!... Pois fique sabendo que vou contar para todo o mundo agora mesmo..."

Hortênsia se endireitou, olhou com ódio para Cecília, deu uma gargalhada histérica, levantou-se e falou, com um brilho diabólico nos olhos:

"Conte, idiota! E quem é que vai acreditar numa mulher ciumenta como você?" avançou para Cecília, fazendo-a recuar. "É verdade que não estou mais louca.. . desde o dia em que vi o odiento do seu pai na casa da fazenda!... Desde aquele dia eu vivo para uma coisa: mata-lo! Depois, não me importa o que acontecer: quem seria capaz de culpar uma pobre louca? Odeio seu pai e tudo que está ligado a ele... odeio você e vou mata-la!" – pegou duma faca que estava sobre a mesa e continuou avançando lentamente para Cecília, que já tinha as costas coladas contra a parede, impossibilitada de fugir. Naquele momento ouviram-se passadas rápidas: alguém vinha correndo. Era Maciel: quando entrou na casa ainda pôde ver a faca na mão de Hortênsia. Cecília correu para ele e o abraçou, chorando.

"Cuidado, papai", preveniu ela – "Hortênsia ia me matar e quer matar o senhor também!..,"

Hortênsia já tomara a postura costumeira: parada, olhando vagamente, inexpressivamente.

Pela maneira como Maciel a olhou, Cecília viu que não adiantava tentar convencer o pai de que Hortênsia não estava louca.

"Você não devia ter vindo, Cecília, não apenas porque Fernando não quer, mas principalmente porque não se deve molestar uma pobre louca. Você deve tê-la irritado. Como Fernando disse, ela é como um animal: defende-se quando é provocada."

Narcisa percebera a ausência de Cecília e avisara Maciel. Ninguém mais ficara sabendo que Cecília tinha ido procurar Hortênsia. Cecília não comentou com ninguém, a não ser com Narcisa.


"Ela é tão lúcida quanto nós, Narcisa. Hortênsia tentou me matar e diz que vai matar papai!"

Narcisa era uma aliada certa de Cecília para todas as horas.



Continua...

Não perca a próxima parte deste grande sucesso da TV, a novela "A Deusa Vencida", de Ivani Ribeiro. Capítulos todos os dias (de segunda à sexta), às 19h.

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· As imagens deste capítulo são cenas da novela;

· Capítulo extraído da coleção "Telenovelas Famosas" com original de Ivani Ribeiro, adaptado por Saveiro Jr.