A Deusa Vencida - Capítulo 35: 'As Cartas Misteriosas'

Por Redação em 07/12/2021 às 18:59:00

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Havia mais de uma hora que Edmundo (Tarcísio Meira) examinava Cecília (Glória Menezes). A princípio ele hesitou em voltar à casa de Maciel (Altair Lima), mas Fernando (Edson França) o convenceu, impressionando Edmundo com sua atitude. Como o médico previra, Cecília não se opunha mais ao exame, mas limitava-se a responder sim ou não às perguntas de Edmundo.

Edmundo guardou seus instrumentos, fechou a maleta e saiu do quarto sem dizer uma palavra. Maciel o acompanhou.

"Doutor Edmundo...", quis saber, "... Minha filha... que é que o senhor acha?"

"À primeira vista parece uma compressão do nervo ótico, senhor Maciel. Se assim for, será uma cegueira temporária... que talvez dure alguns meses. Dona Cecília precisa descansar e seguir à risca o tratamento que vou prescrever. É um método moderno para casos assim, que tem dado grandes resultados, mas teremos que pedir uns remédios que são fabricados somente na Europa, num laboratório da Bélgica. Felizmente eu trouxe comigo algumas caixas.. . Preciso de uma pessoa para fazer diariamente a aplicação do remédio..."

"Sofia (Maria Aparecida Alves) poderá fazer isso", disse Fernando, que ouvira o final da conversa. "Minha prima está habituada a tratar das pessoas na fazenda. '


"Seria conveniente que ela viesse comigo ao consultório para que eu lhe ensinasse o que tem a fazer", sugeriu Edmundo.

Maciel acompanhou Sofia até ao consultório. Quando voltaram, Sofia fez a primeira aplicação do remédio em Cecília: consistia em pingar algumas gotas em cada olho, levantando-se as pálpebras para que todo o globo ocular fosse atingido e, em seguida, aplicar uma compressa, que deveria ser trocada duas vezes por dia.

"Amanhã partiremos todos para a fazenda, senhor Maciel. Dona Cecília ficará lá até se curar. Depois.. . eu a devolvo.. . tal como a recebi: em troca, quero minha liberdade."

Fernando olhava firme para Maciel, esperando uma resposta. Maciel não sabia o que responder: no fundo concordava com Fernando e até o achava magnânimo demais. Concordou com acenos de cabeça. Sentia-se humilhado.

Uma criada veio avisar Barreto (Augusto Machado de Campos) que Laércio (Hugo Santana) queria vê-lo. Mal viu o padrinho, Laércio lhe estendeu um envelope aberto, e disse ríspido:

"A partir de hoje eu viverei por mim mesmo, sem sua ajuda! Por favor, nunca mais me procure!" - E saiu sem esperar resposta.

Barreto não entendia o que se passava. Só depois que Laércio ganhou a rua é que lhe ocorreu verificar o que continha o envelope: era uma carta anónima, escrita em

letra de fôrma. Eram poucas palavras: "Você ainda não desconfiou que Barreto é seu pai?". Não fosse a atitude de Laércio e Barreto teria dado boas gargalhadas. Colocando-se, porém, na posição do afilhado, compreendeu que o moço tinha razões para estar zangado, se acreditasse na carta. Decidiu esperar para ver se Laércio mantinha a mesma atitude de ressentimento.

-X-

No dia seguinte, Fernando partiu para a fazenda com Cecília, Narcisa (Ruth de Souza) e Sofia. A cegueira de Cecília consternou a todos, especialmente Vina (Raquel Martins). Começou para Cecília a fase mais amarga de toda a sua vida. Casada com um homem que não amava, isolada numa fazenda, longe do ambiente alegre que conhecera desde criança, repudiada por Edmundo, a quem devotava todo o seu amor e agora cega, no meio de gente estranha.

Os primeiros dias foram cheios de sobressaltos: descer ou subir uma escada, evitar os móveis, fazer as refeições, vestir-se eram atos que quase a desesperavam. Tornou-se mais mal-humorada ainda e só Narcisa tinha permissão para entrar em seu quarto, de onde Cecília saía raramente. Quando lhe vinha vontade de andar, Narcisa a ajudava a descer e davam pequenos passeios pela varanda e pelo pomar, mas Cecília se irritava quando percebia que Tico (Ayres Pinto) e Zuza (Airton Silva) as seguiam de longe, com curiosidade.

Passou-se a primeira semana. Cecília já se habituara a andar pela casa sem o apoio de Narcisa. Uma tarde em que Cecília estava sentada na varanda, Narcisa chegou pressurosa, com novidade.

"Sabe, sinhàzinha? Dona Sofia está esquisita e quase não fala mais com "seu" Fernando e sinhá Vina!.. . Ela recebeu uma carta que diz que o pai do "seu" Fernando matou o pai dela para ficar com a fazenda e que ela é a legítima herdeira! Eu escutei quando ela conversou com sinhá Vina. . . Sinhá Vina chorou, mas dona Sofia não se importou.. . "Seu" Fernando ficou furioso! A carta diz que os documentos da fazenda estão no "paiol" e tudo está no nome do pai de dona Sofia! Por isso é que "seu" Fernando não deixa ninguém entrar lá..."

A estória fazia sentido, os fatos se interligavam. Cecília reconheceu que havia uma certa lógica em tudo: realmente, o que poderia estar escondido no "paiol", que só Fernando e seu fidelíssimo Jacinto (Silvio Piratininga) sabiam? "Deveria ser algo de muito grave", pensava Cecília.

A possibilidade de desvendar um segredo que Fernando guardava com tanto cuidado trouxe para Cecília uma satisfação íntima era a ocasião para se desforrar. À noitinha, quando Sofia lhe fazia a troca de compressas, Cecília tocou no assunto:

"Se eu fosse você...", disse Cecília inesperadamente, "... Exigia de Fernando que lhe permitisse entrar no "paiol". .. Talvez ele não queira que se saiba o que há lá dentro para não ter que entregar a fazenda à legítima dona: você, Sofia!..."

Sofia se surpreendeu: olhou para Cecília, que tinha nos lábios um sorriso estranho? olhou também para Narcisa e compreendeu como Cecília tomara conhecimento da carta anônima. Percebeu a intenção de intriga nas palavras de Cecília e preferiu não responder. Cecília esperou pela resposta, que não veio. Continuou:

"Só pode ser isso, Sofia! Você não percebe que não há outra razão para tanto mistério em torno do "paiol"? Você já viu a escritura da fazenda?"

Sofia não tinha muita vontade de falar, por isso respondeu com poucas palavras:

"Já pedi a Fernando que me mostrasse a escritura... mas ele não consegue acha-la... Parece que a perdeu."

"Está vendo, Sofia? Muito conveniente: perder a escritura da fazenda. . . Você acredita nesta estória? Tudo leva a uma conclusão: quem escreveu a carta sabe o que diz: você é a dona desta fazenda, na qual você tem vivido de esmola!... Você precisa defender os seus direitos, Sofia! Tem que reagir!"

-x-

"Senhor Barreto, o senhor tem ideia de quem teria escrito esta carta?" perguntou Fernando mostrando a Barreto a carta anónima enviada a Sofia.

Mais de uma semana se passara desde que Sofia recebeu a carta. O ambiente na fazenda estava de tal modo que Fernando decidiu partir para São Paulo para descobrir o autor da carta não suportava as suspeitas de Sofia, a quem queria como a uma irmã. Por sua vez, Cecília não perdia nenhuma oportunidade de ironiza-lo, desafiando-o a abrir o "paiol". E o pior: Fernando percebia que Sofia apoiava Cecília. Vina andava calada e tristonha. Fernando decidiu a dar fim àquela situação de uma vez, descobrindo e desmascarando o autor da carta caluniosa.

"Deve ser uma pessoa que nos conhece bem", continuou Fernando. "Não sei quem poderia ter o requinte de maldade de inventar uma coisa dessas".

Barreto examinava a carta cuidadosamente. Tirou do bolso uma carteira e, de dentro dela, duas folhas de papel, que confrontou com a carta – letra idêntica à da carta de Sofia. Chamou a atenção de Fernando:

"Não é a primeira carta, senhor Fernando. Eu já recebi uma e Laércio também da mesma pessoa, como se pode ver. E graças a uma infâmia, meu afilhado deixou os estudos, não fala mais comigo e se empregou como caixeiro, imagine, senhor Fernando, um quartanista de Direito abandona os estudos e vai ser caixeiro de uma loja de tecidos! Tudo por causa de uma mentira: apontando-me como pai de Laércio."

Só depois de ter desabafado é que Fernando se lembrou de perguntar por Maciel:

"Esteve muito mal mas já está convalescendo", explicou Barreto. "Foi tifo caso muito sério! Se não fosse um homem resistente como é, senhor Fernando, talvez não tivesse resistido. Está muito debilitado... o médico o aconselhou a passar uma temporada no campo. Eu pensei na sua fazenda..."

Barreto estava jogando uma cartada: sabia que Maciel precisava de descansar e sabia também que Fernando não tinha nenhum motivo para querer o sogro na fazenda, mas tinha certeza de que Fernando não se oporia à ideia. E tinha razão depois de pensar um pouco, Fernando lhe deu seu consentimento:

"Está bem, senhor Barreto. Pelo menos assim acabamos com tudo de uma vez!..."

Fernando subiu com Barreto ao quarto de Maciel. Explicou ao sogro a que viera e lhe mostrou a carta. Pela reação de Maciel, percebeu que não tinha razão de ser aquela leve suspeita que nutria contra ele - na verdade, Fernando viera à cidade certo de que o autor da carta só poderia ser Maciel, a única pessoa que teria algum interesse em prejudica-lo.

Ao saber, porém, que Barreto e Laércio também já tinham sido alvos daquelas infâmias, ficou confuso e se arrependeu intimamente de ter suspeitado do sogro. Restava Edmundo: também ele teria motivos para querer mal a Fernando afinal,

eram rivais.. . Todavia, se Edmundo desejasse ofender Fernando, que recurso melhor que fazer com que Cecília traísse o marido? E, no entanto, Edmundo agira de modo diverso, afastando-se de Cecília. Amarante (Ivan Mesquita) e Malu (Regina Duarte)? Impossível. Não havia a menor possibilidade de serem autores daquelas calúnias por não haver uma justificativa para procederem assim.



Continua... (ATENÇÃO - FASE FINAL DA NOVELA: próximo capítulo dia 03/01/22)

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· As imagens deste capítulo são cenas da novela;

· Capítulo extraído da coleção "Telenovelas Famosas" com original de Ivani Ribeiro, adaptado por Saveiro Jr.