A Deusa Vencida - Capítulo 34: 'A visão'

Por Redação em 06/12/2021 às 19:00:00

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Uma semana após sua chegada, Edmundo (Tarcísio Meira) já estava clinicando em seu consultório, na rua São João, nos altos de um sobrado que tinha no andar térreo uma loja de armarinhos. Diariamente os jornais vinham publicando o seguinte anúncio: "Doutor Edmundo Amarante especialista em doenças dos olhos. Rua São João, 86, altos."

Mais adiante um jornal noticiava uma recepção dada na véspera, por ocasião de um aniversário "... e, entre os muitos convidados, notava-se o par Dr. Edmundo Amarante e sua prima Maria Luiza Amarante (Regina Duarte), que têm sido vistos juntos nos últimos dias, tudo levando a crer que breve se terá anúncio de um noivado...".

Era o que faltava a Cecília (Glória Menezes): decidiu ir ver Edmundo naquele dia mesmo!

Narcisa (Ruth de Souza) chamou uma carruagem e as duas saíram de casa discretamente. Fernando (Edson França) e Barreto (Augusto Machado de Campos) estavam na cidade? Maciel (Altair Lima) saíra para dar o seu costumeiro passeio da tarde. Sofia (Maria Aparecida Alves) era a única que ficara em casa: Vina (Raquel Martins) e as crianças tinham voltado alguns dias antes para a fazenda. Àquela hora Sofia devia estar costurando as roupas que queria levar para os filhos dos colonos quando voltasse para a fazenda. Só notou a ausência de Narcisa quando precisou da ajuda dela e não a encontrou. Uma criada informou que Narcisa saíra com Cecília não sabia aonde tinham ido possivelmente estariam fazendo compras na cidade. Cecília mandou o cocheiro parar diante do número 86, na rua São João. Desceu só - não queria que Narcisa a acompanhasse. Subiu a longa escada que levava a uma porta com uma placa que tinha o nome de Edmundo.

"Dr. Edmundo Amarante..." - entrou sem bater.

Não havia ninguém na sala de espera. Entrou devagar no consultório e fechou a porta atrás de si. Edmundo se voltou e a viu:

"Você aqui? Mas Cecília... você veio só?"

Cecília acenou que sim. Ela caminhava lentamente, emocionada, quase extasiada, sem despregar os olhos de Edmundo.

"Cecília, você precisa pensar no que está fazendo." – Edmundo fez um gesto com as mãos como se tentasse impedir Cecília de chegar perto dele. Cecília parou, estranhando a atitude de Edmundo.

"Tenho esperado tanto por você, Edmundo, tenho aguardado um chamado seu em cada hora, em cada minuto.. . e você sempre mudo. preciso falar com você! Edmundo, há um ano que espero por você! Um ano inteiro!" - Edmundo não respondeu e Cecília continuou: "Hoje eu li no jornal que você e Malu... iam ficar noivos.. . não posso acreditar, Edmundo, não posso!"

"Cecília, acalme-se, vamos conversar com calma.. . o assunto é muito sério para ser discutido nesse estado emocional em que você se encontra! A paixão..."

"Paixão..." - interrompeu Cecília – "Mas eu estou apaixonada! Loucamente apaixonada por você Edmundo! Você foi a única razão que tive para viver um ano inteiro longe de minha casa, isolada numa fazenda que eu detesto. . ."

As lágrimas já rolavam pelo rosto de Cecília.

"Edmundo, fale que me ama, pelo menos uma vez, fale.. . como antigamente" - Cecília, transtornada, implorava. Edmundo lhe virou as costas e falou alto:

"Cecília, agora não! Por favor, vá-se embora!"

Cecília se sentiu petrificada. Numa fração de segundo rememorou as palavras de Edmundo, analisando uma por uma: não havia dúvida Edmundo a mandava embora. Cobriu o rosto com as mãos, ficou assim por uns instantes, voltou-se e deixou o consultório, atravessou a sala de espera e saiu, sem fechar a porta. Foi quando Edmundo ouviu o ruido do corpo de Cecília rolando pela escada. Correu e ainda pôde ver Cecília rolar os últimos degraus e se estender no assoalho. Desceu a escada aos pulos, levantou Cecília nos braços e saiu com ela para a rua. Bem em frente da saída do prédio, viu Narcisa dentro da carruagem – subiu com Cecília e mandou que o cocheiro seguisse para a casa de Lineu Maciel. Explicou à assustada Narcisa o que acontecera, enquanto limpava da testa de Cecília o sangue que lhe brotava de um corte no supercílio.

Sofia fez às pressas um curativo, enquanto Edmundo chamava um médico para assistir Cecília e fazer-lhe um exame geral. O médico chegou e ainda encontrou Cecília inconsciente. Como o seu estado clínico era bom, limitou-se a fazer-lhe um curativo definitivo e aplicou-lhe um calmante que a faria dormir até ao dia seguinte, quando voltaria para um segundo exame.

Pouco depois que Edmundo saiu com o médico, chegaram Maciel, Fernando e Barreto, que se inteiraram do acontecido através de Sofia. O fato de Cecília ter-se avistado com Edmundo irritou profundamente Fernando e envergonhou Maciel – fecharam-se em seus quartos e não mais saíram.

Sofia e Narcisa se revezaram a noite toda. Já tinha amanhecido e Narcisa estava cochilando na cadeira, quando um ligeiro gemido de Cecília a fez despertar. Cecília estava acordando. Narcisa lhe passou a mão pelos cabelos.

"É você, Narcisa?" perguntou Cecília. "Que aconteceu? Me dói tanto a cabeça!.."

"Sinhàzinha caiu da escada . . machucou a cabeça. Mas o doutor disse que não é nada, que vai passar logo."

Cecília levou a mão à testa e sentiu o curativo.

"Narcisa, que horas são?"

"Já são sete da manhã.. . sinhàzinha dormiu a noite toda... o médico deu um remédio prá dormir..."

"Abra as cortinas, Narcisa, está muito escuro", pediu Cecília.

Narcisa puxou as cortinas das janelas e da porta que dava para a sacada.

"Abra as janelas também, Narcisa."

Narcisa abriu as vidraças e venezianas e uma, aragem invadiu o quarto. Quando ela se voltou, Cecília estava sentada na cama, com as mãos no rosto.

"Narcisa!" gritou ela, "Está tudo escuro! Não consigo enxergar nada!"

O grito ecoou pela casa toda. Sofia correu para o quarto de Cecília.

"Sinhàzinha não está enxergando", explicou Narcisa. "Chame seu Maciel..."

Não foi preciso: Maciel também já acudira. Sofia foi avisar Fernando.

"Cecília não pode enxergar, Fernando, parece que foi a queda de ontem...

Chame o médico imediatamente... e avise-o de que se trata."

Sofia desceu para telefonar e Fernando foi ao quarto de Cecília. Maciel estava acabrunhado. Cecília chorava, recostada em Narcisa. Fernando nada tinha o que fazer ali: retirou-se para seu quarto e aguardou a visita do médico, que chegou pouco tempo depois.

"Os olhos...", concluiu o médico, "... Não apresentam nenhuma lesão externa. Este caso, dado que o estado geral da paciente é bom, deve ser tratado por um especialista... e para felicidade nossa, temos um grande, talvez o melhor do país, aqui em São Paulo: o doutor Edmundo Amarante!"

"Não", gritou Cecília, "Edmundo, não! Jamais permitirei que ele me toque! Prefiro ficar cega!"

O médico receitou um calmante e aconselhou Maciel a não retardar muito o exame dos olhos de Cecília, que deveria ter sido feito na véspera, se tivesse sido possível.

"Com o calmante....", explicou o médico, "...ela ficará mais sossegada e então será fácil convencê-la a se deixar examinar".


Continua...

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· As imagens deste capítulo não são cenas da novela;

· Capítulo extraído da coleção "Telenovelas Famosas" com original de Ivani Ribeiro, adaptado por Saveiro Jr.