'A Deusa Vencida' - Capítulo 26: 'A chegada da Deusa'

Por Redação em 24/11/2021 às 19:59:38

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Cecília (Glória Menezes) tentava dormir mas os solavancos do trem e as emoções vividas nas últimas horas a impediam: cochilava e acordava aos sobressaltos. Fernando (Edson França) conseguira conciliar o sono, recostado na poltrona - estava habituado a fazer aquela viagem todos os meses. Cansada e abatida, Cecília se julgava a pessoa mais infeliz do mundo — só e desamparada, longe do seu amor, casada com um homem a quem não amava, viajando para uma fazenda, onde deveria morar, longe do conforto a que estava sempre acostumada.

Quando clareou, o chefe do trem veio avisar que o restaurante já servia o café-da-manhã. Como Cecilia recusasse comer qualquer coisa, Fernando foi só ao restaurante. Quando voltou, trouxe consigo um garçom, que serviu uma xícara de café quente a Cecilia. Notando que a jovem esposa estava um pouco retraída, Fernando atribuiu o fato ao cansaço e deixou-a à vontade. Na próxima estação, deveriam descer.

Quando o trem diminuía a velocidade, já entrando na vila, Fernando, da janela, reconheceu ao longe a carruagem da fazenda parada perto da estação e distinguiu a figura de Jacinto, na plataforma. A vila inteira estava sabendo do casamento de Fernando e havia muitos amigos esperando o casal – a maioria, amigos de infância de Fernando, que hoje o tinham em grande estima. Tratavam-se com muita camaradagem, com abraços e palmadas nas costas. "Demorou mas escolheu bem", dizia um, referindo-se à beleza de Cecília; "continua o mais exigente da turma toda", dizia outro.

Esta faceta da personalidade de Fernando, Cecília não conhecia ainda — estava se revelando alegre e jovial. Na cidade sempre mantivera uma atitude séria e formal. Despediram-se dos amigos, entraram na carruagem e partiram para a fazenda. Fernando não tivera tempo de apresentar Jacinto (Silvio Piratininga) a Cecília. Quando saiam da vila é que se lembrou de falar sobre o empregado.

"Esse que está guiando os cavalos é Jacinto, o melhor empregado da fazenda... de confiança. Meu braço direito."

Ao chegarem junto duma porteira toda enfeitada com bandeirolas, Jacinto parou a carruagem - vários colonos, com suas mulheres e filhos, queriam cumprimentar os recém-casados. Fernando desceu e cumprimentou a todos. Abriu a porta da carruagem e apresentou Cecília, que fez um aceno de cabeça, retribuindo os cumprimentos.

"A partir daqui, são nossas terras, disse Fernando apontando os cafezais dos lados da estrada."

Cecília parecia alheia a tudo e lançou para fora da janela um olhar desinteressado. Ao descortinarem a fazenda, Jacinto fez um aceno de mão e ouviram-se os primeiros fogos espoucando no ar. Os estouros se amiudaram à medida em que a carruagem se aproximava da casa da fazenda. Estavam todos reunidos, à espera.

Vina (Raquel Martins), Sofia (Maria Aparecida Alves), Candinha (Lourdinha Félix), Tico (Ayres Pinto), Zuza (Airton da Silva) e as famílias dos colonos. Fernando desceu, abraçou Vina e ajudou Cecília a descer.

"Mãe, esta é Cecília, sua nora."

"É muito bonita, meu filho. Cecília, seja bem-vinda nesta casa que agora é também sua."

Fernando cumprimentou Sofia.

"Então, Sofia, como vão as coisas?"

"Vão bem... meus parabéns, Fernando. Ela é muito bonita."

Vina apresentou Sofia:

"Esta é Sofia, minha sobrinha..."

"Muito prazer", disse Sofia.

"Prazer", respondeu friamente Cecília.

Fernando, após receber os cumprimentos da gente grande, se via às voltas com as crianças. Tico lhe agarrava as pernas:

"Que bom que o senhor está de volta", dizia Tico. "Foi bonito o casamento? Foi? Dona Cecilia é muito bonita... é a moça mais bonita que eu já vi!"

"Obrigado Tico, venha aqui com o Zuza que eu vou apresentar vocês dois a dona Cecília" - e, chegando-se com as duas crianças até à esposa – "Estes são Tico e Zuza... Zuza é filho de Jacinto..."

"São bonitinhos", comentou Cecília.

"Você deve estar muito cansada, minha filha. Vamos entrar que eu vou mostrar o seu quarto... vocês precisam descansar... mais tarde nos conversamos."

Só então Vina deu por Candinha, parada, olhando Cecília, boquiaberta. Vina estranhou:

"Que é que você faz aí, menina? Venha cumprimentar dona Cecília!"

"Nossa, sinha Vina, como dona Cecília é bonita! Olha só o vestido dela que beleza! E as rendas... deve ter custado um dinheirão, não dona Cecília? Por aqui não há dessas coisas, não... ninguém está acostumado... quando alguém quer um vestido bonito mesmo tem que mandar buscar na cidade..."

Cecília olhava para Vina e para Candinha, sem saber o que dizer.

"Pra que é que eu fui mexer com você, Candinha?... bem, Cecília, agora você já conhece Candinha", disse Vina. E continuou num tom de malícia: "Sabe... ela é muito calada!..." - Jacinto ia passando com as malas – "pode levar tudo para cima."

Subiram direto para os aposentos destinados ao casal: três cômodos pegados - o quarto de dormir, o de vestir e uma sala de trabalho para Cecília, com uma pequena biblioteca, que dava para os fundos da fazenda, com vista para o rio. Cecília percorreu os aposentos com olhar crítico instintivamente os comparava com os de sua casa. Mostrava-se indiferente, o que era percebido por Vina e Sofia.

"Você parece muito cansada, milha filha", disse Vina. "Descanse à vontade. Ao meio-dia temos um almoço com todos os colonos — hoje é feriado na fazenda. Fernando..." - Fernando acacaba de entrar no quarto – "... descanse também, filho."

"Eu desço daqui a pouco, mãe. Consegui dormir no trem. Preciso conversar com Jacinto."

Fernando ficou só com Cecília. Fechou a porta do quarto. Cecília desprendia o chapéu de viagem, que protegia os cabelos contra a poeira. Fernando a olhou por uns instantes e se aproximou dela, colocando-lhe as mãos sobre os ombros.

Ela se voltou bruscamente:

"Por favor, não me toque!"

"Mas, Cecília..." - Fernando não compreendia a reação da mulher.

"Dona Cecília, por favor", acentuou.

"Você deve estar cansada da viagem..."

"A "senhora"", insistiu Cecília.

Fernando estava cada vez mais confuso.

"Cecília, nós estamos casados! Você é minha esposa, eu amo você!..."

"E eu amo Edmundo Amarante!"

"Mas... então, porque você se casou comigo?"

"Não havia escolha", respondeu Cecília, friamente. "Meu pai estava na miséria e ameaçara se matar."

"Então..." , concluiu Fernando, "...Eu fui usado como o salvador da família Maciel. E por que então a "senhora" não recorreu a Edmundo Amarante? O pai dele é rico..."

"Jorge Amarante é um velho avarento.. opunha-se ao casamento..."

"E o filho...", atalhou Fernando com certa ironia, "... muito espertamente obedeceu ao pai, temendo ser deserdado..."

"Nós íamos fugir", gritou Cecília, furiosa com a insinuação de Fernando. "Edmundo me ama!"

"Iam fugir... quando?"

"Esta madrugada!"

"E por que não partiram?"

Cecília se pôs a chorar de repente. Fernando insistia:

"E por que não fugiram? Os dois se acovardaram!..."

"Eu... eu não tive coragem... meu pai descobriu durante a festa... e me pediu para não ir com Edmundo! Mas eu devia ter ido... devia ter ido!"

Cecília se estirou na cama, em prantos. Fernando andava de um lado para outro, no quarto. Quando Cecília se acalmou, Fernando já sabia o que fazer.

"Minha mãe...", falou calmamente, - "...Não deve saber de nada do que se passou aqui. Ninguém deve saber. Vamos fingir que vivemos bem, até decidirmos o que fazer... passarei a dormir no quarto pegado... assim não haverá desconfianças...

Cecília concordava com ligeiros acenos de cabeça.

Fernando desceu e foi ter com Jacinto, que já o esperava.

"Patrão, preciso falar com o senhor sobre o paiol. Acho melhor, agora que o senhor está casado, acabar com aquilo lá..."

Fernando estava pensativo e demorou a responder:

"Não, Jacinto... deixe como está..."

"Mas, patrão..."

"Não importa, o "paiol" continua fechado. Não deixe ninguém entrar lá, a não ser você. Nem dona Cecília... Como é que vai o trabalho do outro lado do rio?"

"Tudo como o senhor mandou... a casa já limpa e pintada... já levei os móveis... ninguém da fazenda sabe."

"Muito bom, Jacinto. Vou dar um pulo até lá agora. Venha comigo."

Continua...

Não perca a próxima parte deste grande sucesso da TV, a novela "A Deusa Vencida", de Ivani Ribeiro. Capítulos todos os dias (de segunda à sexta), às 19h.

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· Algumas imagens deste capítulo são cenas da novela;

· Capítulo extraído da coleção "Telenovelas Famosas" com original de Ivani Ribeiro, adaptado por Saveiro Jr.