'A Deusa Vencida' - Capítulo 14: 'O Paiol'

Por Redação em 08/11/2021 às 18:52:23

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Jacinto (Silvio Piratininga) fora à vila buscar Fernando (Edson França), que não chegara. Trazia uma carta dirigida a dona Vina (Raquel Martins).

"Fernando vai ficar mais uns dias", explicou Vina à Sofia (Maria Aparecida Alves), desejosa de notícias. "Está cuidando da última partida de café – parece que há uns estrangeiros interessados em comprar tudo. Meu filho só volta depois que tiver resolvido tudo...

De certo modo, todos ficaram decepcionados com o adiamento da volta de Fernando. Vina, por já ter saudades do filho; Zuza (Airton da Silva), filho de Jacinto e Tico (Ayres Pinto), seu amigo, juntamente com Candinha (Lourdinha Félix), sentiam ter que esperar mais alguns dias para receberem os doces e brinquedos que Fernando lhes traria na certa; Jacinto precisava da presença do patrão para decidir o que fazer das terras do outro lado do rio, recentemente adquiridas por Fernando; por fim, Sofia... a calma e eficiente Sofia, mão direita de Fernando... que nutria secretamente um profundo e sincero amor pelo primo, Sofia tinha, mais que ninguém, muitas razões para sentir a falta de Fernando

"Fernando tem ido muito a São Paulo nos últimos meses", comentou Sofia, esperando ouvir de Vina uma explicação que não viesse de encontro ao seu amor oculto por Fernando.

"Os negócios da fazenda cada vez mais exigem a presença de Fernando na cidade. Bem sei que ele faz muita falta aqui, ainda mais agora que há muito que fazer com as terras do lado de lá do rio..."

Sofia pareceu resignar-se. Foi cuidar de seus afazeres, aumentados pelo fato de ela tomar a si a responsabilidade da execução das tarefas que normalmente cabiam a Fernando.

"Seu Fernando não vem. Sinhá Vina?"

Tico puxava a saia de Vina, que relia a carta, sentada na cadeira de balanço da ampla varanda. Zuza, parado à porta, aguardava também a resposta.

"Vem sim, mais vai demorar uns dias. Vocês dois não precisam se preocupar: Fernando vai trazer doces e brinquedos, como sempre.

"Tomara que Seu Fernando volte depressa..."

"Interesseiro... vá brincar com o Zuza. Mas nada de maltratar os animais, viu?"

"Sinhá Vina, não fui eu quem amarrou lata no rabo do gato..."

"Então vocês estão dando em cima dos gatos também, hein? Eu estava falando é das penas que vocês andaram arrancando do galo para fazer peteca! Onde já se viu! Se eu pegar vocês fazendo isso de novo, vão levar uma sova com vara de marmelo!"

"Foi o Tico!"

"Foi o Zuza, Sinhá Vina! Eu só segurei o galo!"

Vina, a boa Vina, falava, mas era incapaz de dar um puxão de orelha. Nunca fora necessário castigar Fernando ou Sofia, criada por ela desde os dois anos de idade, quando a criança lhe foi entregue pelo cunhado, que se aventurou pelos sertões de Minas à procura de fortuna no garimpo, vindo a falecer.

Sofia cresceu ao lado de Fernando. Inteligente e laboriosa, interessava-se pelo trabalho da fazenda, dirigindo-a na ausência do primo, o que acontecia muito a miúde nos últimos tempos. No fundo, Vina acalentava a ideia de que Fernando viesse a se casar com Sofia. Do ponto de vista de Vina, seria o casamento ideal para ambos. Às vezes, em conversa com Sofia, revelava-lhe seu desejo de ter a sobrinha como nora. Sofia apenas sorria. E Vina jamais pôde saber ao certo o que significava aquele sorriso: Sofia era altiva demais para permitir que Fernando tomasse qualquer iniciativa apenas por interferência da mãe. Preferia não deixar transparecer seu amor por Fernando. Mesmo porque Sofia receava revelar um amor e depois não ser correspondida. Ultimamente Fernando andava fazendo frequentes viagens a São Paulo. Sofia, conhecendo tanto como Fernando os negócios da fazenda, sabia que não eram apenas os negócios que levavam o primo à cidade. E, como se não bastassem as viagens, havia o paiol...

? que todos na fazenda chamavam o "paiol", nada mais era do que a antiga sede, transformada provisoriamente em depósito de milho e cereais, após a construção do imponente sobrado, atual sede da grande propriedade que se tornara a fazenda de Fernando Albuquerque.

Com o passar do tempo, Fernando construiu um paiol, depósitos adequados para cereais e uma tulha, desenhada especialmente pelo próprio Fernando; ali se armazenava a colheita de café, já seco e o sistema de ventilação idealizado por Fernando funcionou tão bem que não se perdia uma saca sequer: o mofo desapareceu de vez.

Fazendeiros das redondezas construíam tulhas idênticas, com a aquiescência e supervisão de Fernando.

Voltemos, porém, ao "paiol".

Desocupado, serviu como depósito de ferramentas e ultimamente Fernando o mantinha trancado. Alegava guardar ali documentos e papéis que as crianças não deveriam tocar. Apenas Jacinto podia entrar, além de Fernando. A princípio, nem Vina nem Sofia deram maior importância ao caso. O "paiol" ficava um pouco afastado da casa da fazenda, circundado por um pomar, tendo um bambuzal ao fundo. Além do bambuzal, um pequeno bosque, paraíso de Zuza e Tico, que ali armavam arapucas e procuravam ninhos de passarinhos.

Com o passar do tempo, Vina e Sofia começaram a notar um certo mistério em torno do "paiol". Como Fernando sempre dava respostas evasivas — "é bom não irem lá, pode haver aranhas e escorpiões" ou então "mais dia menos dia vou demolir tudo" — não insistiam.

Uma vez, Sofia pediu a chave a Jacinto para entrar no "paiol", sob o pretexto de procurar um remédio para um bezerro doente. Jacinto alegou não ter a chave em seu poder, o que Sofia percebeu claramente não ser verdade. À medida em que esses pequenos incidentes iam acontecendo, mais aumentava em Vina e Sofia a curiosidade em torno do que podia haver dentro do "paiol".

Continua...

Não perca a próxima parte deste grande sucesso da TV, a novela "A Deusa Vencida", de Ivani Ribeiro. Capítulos todos os dias (de segunda à sexta), às 19h.

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· As imagens deste capítulo não são cenas da novela;

· Capítulo extraído da coleção "Telenovelas Famosas" com original de Ivani Ribeiro, adaptado por Saveiro Jr.