'A Deusa Vencida' - Capítulo 11': 'Ah, esses jovens!'

Por Redação em 03/11/2021 às 19:11:48

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O que Laércio (Hugo Santan) entendia por farra grossa era bebidas, música e... mulheres. A música não custava nada – Laércio era bom de voz e um dos seus companheiros de quarto dedilhava bem o violão, instrumento apropriado para estudantes e estudantadas, banido das boas casas de família; as bebidas custavam dinheiro – problema que Barreto (Augusto Machado de Campos) acabava de resolver; mulheres, essas, às vezes... também custavam dinheiro.

Como um rapaz podia se divertir?

Nos fins-de-semana, podia ir ao Velodromo, junto da rua da Consolação, para assistir ou participar de corridas de bicicletas ou então ver uma partida de um jogo que estava se difundindo cada vez mais, chamado "foot-ball". Se o rapaz tinha namorada, uma vez ou outra por semana podia ir até à casa dela e ficar parado na rua, à espera de que a amada surgisse por instantes à janela, quando a cumprimentava com um leve movimento da cabeça, ao mesmo tempo que tirava o chapéu ou, então, esperá-la à porta da igreja e trocar olhares furtivos durante a missa; ainda era possível dançar com a namorada uma ou, no máximo, duas vezes, nos bailes do Clube Concórdia, realizados a cada três meses. Havia as serenatas, o forte de Laércio. Dotado de boa voz, era sempre requisitado para traduzir com suas canções a paixão de um coração enamorado que financiava uns tragos para o cantor e para o violonista, não raro, acompanhados de amigos, colegas da academia de Direito ou companheiros de república.

Uma ou outra vez, porém, tinham necessidade de emoções mais fortes. Então, se a situação financeira permitisse, dava-se uma esticada até às pensões das ruas Xavier de Toledo e Conselheiro Crispiniano residências de gentis senhoristas, experimentadas distribuidoras de carinhos. Se os tempos estivessem bicudos, havia o recurso das casas da rua Líbero Badaró, antiga rua de São José, cujas moradoras tinham o hábito de se promover nas janelas e corredores, com portas abertas dando diretamente para a rua. Às vezes acontecia de haver um desentendimento entre a dona da casa e uma moradora, a respeito da comissão ou da renda diária. Se a pendência não se resolvia amigavelmente e havia um rompimento, a moradora se mudava e anunciava seu novo endereço pelos jornais – "Mle. Georgette sente-se honrada em anunciar aos seus amigos que se mudou da rua tal, número tal, para... etc., onde espera continuar a recebê-los"

Laércio planejava então uma farra grossa.

Acertaria os detalhes mais tarde com os companheiros de quarto. Antes era preciso passar pelo Grande Hotel e tirar informações certas sobre a estadia de Fernando Albuquerque (Edson França). No dia seguinte, procuraria o padrinho: era preciso valorizar um pouco o trabalho...

Não teve dificuldades com o porteiro. Já se conheciam.

"Seu Silva, como vão as coisas?"

Laércio, sempre alegre e simpático, tinha muitos amigos nas redondezas: caixeiros, porteiros de hotéis, condutores de bonde — com ponto bem em frente da república de Laércio – carteiros, além dos amigos que fizera na Faculdade.

Conseguiu todas as informações que queria. Agora, nada mais a fazer senão preparar-se para a noitada.

-x-

No seu apartamento, no segundo andar, Fernando Albuquerque escrevia uma carta a dona Vina, sua mãe, participando-lhe que se demoraria mais alguns dias na cidade, para cuidar da venda de uma partida de café.

Fernando dirigia a fazenda desde os quinze anos, quando o pai, falecendo, lhe deixava nas mãos as terras que conseguira comprar aos poucos, depois de uma vida de lutas e sacrifícios. Filho único, coube a Fernando cuidar da mãe e de Sofia, sua prima. Interrompeu os estudos mas não perdeu a vontade de aprender. Seu entusiasmo deu vida à fazenda. Cultivou as terras ainda não aproveitadas, plantou mais cafezais. Seu trabalho começou a dar frutos. Comprou os sítios vizinhos e, alguns anos após a morte do pai, Fernando já era apontado como um dos grandes fazendeiros da região, responsável pela produção de milhares de sacas de café da melhor qualidade.

Fernando escrevia à mãe e justificava sua demora pela necessidade de cuidar da venda de uma partida e café — ele tinha certeza de que na fazenda todos acreditariam. O verdadeiro motivo, esse, Fernando não podia mencionar...


Continua...

Não perca a próxima parte deste grande sucesso da TV, a novela "A Deusa Vencida", de Ivani Ribeiro. Capítulos todos os dias (de segunda à sexta), às 19h.

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· As imagens deste capítulo não são cenas da novela;

· Capítulo extraído da coleção "Telenovelas Famosas" com original de Ivani Ribeiro, adaptado por Saveiro Jr.