'A Deusa Vencida' - Capítulo 04: 'Enamorados'

Por Redação em 25/10/2021 às 19:00:00

O torreão é o refúgio de Cecília (Glória Menezes).

Localizado a poucos metros do portão de entrada, dando diretamente para a rua, é ao mesmo tempo sala de música, de jogos, de leitura e o lugar preferido também para receber as amigas; os pais se dirigiam para a casa e as moças se reuniam no torreão onde conversavam, tocavam, cantavam e, sobretudo, discutiam seus flertes, os olhares cruzados à saída da igreja, os bailes passados e futuros, os bons partidos da cidade, os noivados, os casamentos.

Aprontando-se, Cecília vai para o torreão. Desce as escadas e encontra Barreto (Augusto Machado de Campos) caminhando nervosamente pelo salão.

"Senhor Barreto, papai..."

"Chegou há pouco, subiu e nem me respondeu", cortou Barreto, azedo. "E tenho todas estas contas para pagar (mostra vários papéis cheios de números) e nem sei o que fazer nem o que dizer aos credores. As coisas vão mal... vão mal. E pelo visto não teremos boas novas. Cecília...

"Negócios, senhor Barreto, é com papai", cortou Cecília jovialmente. "No momento, o que mais me interessa é a "caça à raposa" e... (ela se aproxima de Barreto, quase confidencial)... em companhia de Edmundo!

Cecilia sai e Barreto abana a cabeça.

"Mais problemas. . . teremos muito mais... problemas!... Ou, talvez... quem sabe? Amarante... Edmundo Amarante!

Tocar piano era um hábito matinal na vida de Cecília. Toda moça tinha que saber piano e Cecília tivera desde os dez anos aulas com os melhores professores de São Paulo. Sentou-se e dedilhou toda a sua alegria numa esfuziante valsa de Chopin. Só parou quando ouviu um forte tropel de cavalos na rua: eram os companheiros da "caça à raposa" – alegres e bulicosos os rapazes, joviais e mais recatadas as moças.

Cecília chegou junto da vidraça e todos acenaram para ela. Mas ela só viu Edmundo Amarante (Tarcísio Meira), que lhe fez um aceno com o chapéu. Acenou-lhe que esperassem um pouco. Um empregado trouxe-lhe os cavalos, arrieados como ela pedira. Montada em Tufão, seu cavalo favorito, encontrou-se com Edmundo no portão.

"Bom dia, Cecília, você está mais linda que nunca!"

"Bom dia... obrigada. Onde está Malu (Regina Duarte)? Não veio?"

"Malu está cada dia mais dorminhoca! Tinha sono..."

"Pena! Tenho a impressão de que vamos nos divertir muito! Gostaria tanto que ela tivesse vindo. Mandei arreiar o Estrela Branca para você. Você gostou tanto dele..."

"Obrigado, você teve uma grande ideia! É um cavalo excepcional! Ágil e inteligente. Dá muito mais prazer cavalgar um animal assim!"

Edmundo trocou de montaria e juntou-se, com Cecília, ao alegre grupo de moças e rapazes. A brincadeira já estava planejada. Edmundo tomou a iniciativa:

"Amigos, ao Parque da Aclimação!"

E partiram ruidosamente atraindo a atenção dos passantes, das mulheres que acorriam às janelas e das mocinhas que, com um pingo de inveja, eram forçadas pelas mamães a voltar às lições de piano.

Moça de família que saísse de casa, deveria ser acompanhada por um membro da família pai, mãe, irmã ou irmão ou por uma criada.

Mas, ninguém estranhava ver Cecília desacompanhada de um parente. Entre os jovens, muitos
eram irmãos e irmãs, primos e primas e todos pertenciam às mais tradicionais famílias paulistanas.

Aquele mesmo grupo se reunia frequentemente e havia um tácito assentimento dos pais para aqueles encontros. O parentesco e a amizade substituíam os olhares vigilantes dos pais na salvaguarda da reputação das suas filhas. Aquela juventude que exibia pelas ruas da cidade a abastança de suas famílias era vista com agrado e com condescendência pela população.


Continua...

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· As imagens deste capítulo são cenas da novela;

· Capítulo extraído da coleção "Telenovelas Famosas" com original de Ivani Ribeiro, adaptado por Saveiro Jr.